quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Bom Ano de 2010


Para todas as minhas leitoras, os meus votos de um Bom Ano de 2010, cheio de felicidade, muitas alegrias e, claro, muuuuuuuuuuuiiiiiito prazer :-)

Beijinhos

Pedro M

Fotografia de Aleksandr Zhernosek

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal


Para todas as minhas leitoras, os meus votos de um Feliz Natal, com muitas prendinhas, muita alegria e muuuuuuuuuuuiiiiiito prazer :-)

Beijinhos

Pedro M

Fotografia de Aleksandr Zhernosek

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Espera (2)


Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.

(O desejo a consome, o contato
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)

Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet

por Nalú Nogueira
fotografia de Gabriele Rigon

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Espera (1)


A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. Lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.

O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.

por Nálu Nogueira
fotografia de Phil Nouros

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Deleite


Doce homem
meu amado
meu amor.
Que êxtase
ver seus olhos
se abrirem em
raios de luz
seu corpo
desmanchar-se
em iluminado prazer
e seu sexo alçar vôo
nas vezes em que
minha boca viaja
na sua anatomia.

por Stela Fonseca
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Nossa Primeira Vez...


(Costuma-se muito dizer
Que o melhor mesmo da festa
É a gente esperar por ela...)

Eu ando assim, meu amor:
O desejo aumentando...
Suspiros e devaneios,
Arfante roçar de seios,
Meu corpo está te chamando...

Percebo, dia após dia,
Que me desejas também.
E, enquanto não chega a hora,
Eu sonho, tal como agora,
Que desta vez você vem.

Que gosto terá teu beijo?
Um sabor de ambrósia
É o que estou imaginando,
Mas só saberei sugando
A tua boca macia...

Que aroma terá teu corpo?
Perfume de sedução...
Quero cheirá-lo inteirinho,
Saboreá-lo todinho,
Explodindo de paixão...

Nesta espera alucinada
Por tão ansiada festa,
Prazeres que tanto quero,
Em meu desejo sincero,
Aguardar é o que me resta.

Quero entregar-me inteira,
Com total insensatez,
Deixar-te me devorar,
E alucinadamente gozar
A nossa primeira vez...

por Maraína Bastos
fotografia de Tur Anatoliy

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Possuída


Ahhhhh......
Acolher-te em mim, amado,
Que sensação incrível...
É navegar num mar
Ardente, aprazível,
É notar que, afinal,
Pra isso vale a vida...
É um prazer total
Sentir-me possuída,
É provar as delícias
Aos deuses reservadas,
É fartar o instinto,
Pois com você me sinto
De todas a mulheres
A mais das desejadas...

por Maraína Bastos
fotografia de Vlad Gansovsky

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Intervalo Amoroso


O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?

Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?

Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?

Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?

O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?

por Affonso Romano de Sant'Anna
fotografia de Ilya Rashap

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Tentação


Não me tente, ó menina,
Com essa beleza divina
Que me mostra, quase nua...
Não me tente, que enlouqueço,
E dos pudores esqueço,
Ante o que me insinua...

Há tempos que a desejo,
Sonho doido com seu beijo,
Sua boca de sedução...
E agora a vejo assim,
Projectar-se sobre mim,
Com tanta provocação...

Se me tenta, desejosa,
Qual uma gata manhosa,
Com tanta desfaçatez,
Vou deitá-la sobre a relva
E qual as feras na selva,
Possuí-la de uma vez!

por Piero Valmart
fotografia de Georgy Velichkov

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Uma explicação que é vos devida

Nas últimas semanas, e por razões pessoais primeiro e profissionais posteriormente tenho tido muito pouca disponibilidade. Como consequência não tenho actualizado este meu blog, nem respondido aos vossos comentários, com a frequência que desejaria. Pelas mesmas razões, tenho tido o telemóvel desligado. Espero que daqui a cerca de uma semana possa regressar aos meus hábitos normais de trabalho e lazer. Entretanto terei muito prazer em manter o contacto via email.

Beijos
Pedro

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Como são belos os teus seios


Como são belos os teus seios! Foram feitos
à medida das minhas mãos. Pousa-os
na minha boca e conta-me
a tua história. Não tens
história? Não tens noite nem vazio nem praia
branca? Fala-me então
do sol, da migração dos pássaros, da mansidão
das estrelas ― fala-me de ti antes de possuíres
um nome, uma história. Sim
em qualquer parte
lançaremos os nossos corpos na relva; alfaias
efémeras; armas exíguas
ardidas na guerra. Como são belos
os teus seios! Trémulas
palavras. Deixa que neles eu me queime como quem
se deita num rio. Sinto
a terra mover-se. Iluminas
as águas e as estrelas. O percurso
é longo. O silêncio montanhoso. Debruço-me
na tua solidão.

por Casimiro de Brito in 69 poemas de amor
fotografia de Afealle


P.S.: que me perdoe o autor a ousadia de dar um título ao seu poema.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Amante


Amante... antes de ti, a brisa...

Janela entreaberta... porta entreaberta... coxas entreabertas... ligeira corrente de ar quente, movia-se em linha pelo quarto, percorria, no seu caminho, o meu corpo adormecido... Sonhei com caricias de muitos dedos, acordei e espreguicei-me... antes de chegares... e tomares o lugar da brisa...

por Joana Well
fotografia de Gabriele Rigon

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A vagina


É cálida flor
E trópica mansamente
De leite entreaberta às tuas
Mãos

Feltro das pétalas que por dentro
Tem o felpo das pálpebras
Da língua a lentidão

Guelra do corpo
Pulmão que não respira

Dobada em muco
Tecida em água

Flor carnívora voraz do próprio
suco
No ventre entorpecida
Nas pernas sequestrada.

por Maria Teresa Horta
fotografia de David LeBeck

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Imagem


Boca
Linda e rosada
Bem-feita e ocupada

Pele
Sedosa
Ociosa
À espera de um toque

Unhas
Que arranhões provocam

Umbigo e quadris
Que ao prazer convidam
E a libido excitam

Queimando, ardendo, incendiando
Nossas vozes gritando
Nossos corpos extasiados

E o desejo maravilhado
Recomeça inquieto
E para sempre desperto...

por Liz Christine
fotografia de Walmont

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sinto


Deixo-me embalar pela música.
Fecho os olhos e sinto
o teu rosto mergulhar nas ondas do meu
cabelo.

As tuas mãos como plumas
percorrendo meu corpo.
Encostas-me à janela
e pressionas o teu corpo no meu.

Sinto uma volúpia quente
subir e fundir-se em mim.
Uma a uma, as peças vão desaparecendo
e eu estou ali,
nua, faminta, com as ondas
do meu corpo a chamarem-te ...

E tu vens, qual trovão em dias de
tempestade.
Para lá da janela, nada mais existe.
Somos nós, um só corpo
possuídos pelo mesmo desejo:
Amar ...

por Otília Martel in Menina Marota ― um desnudar de alma
fotografia de autor desconhecido

Confesso que tive a ousadia de me substituir à autora e atribuir um título ao poema. Peço desde já as minhas desculpas caso aquela não concorde.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ao espelho


Em frente ao espelho, nudez total,
cabelos molhados, despentados,
cheiro de flor, poema e sexo;
seios redondos já excitados,
o vento frio beijando pêlos,
afagando desejos: o meu, e o dele...

por Rosa Clement
fotografia de autor desconhecido

domingo, 20 de setembro de 2009

Poema de Amor


Deito-me a teu lado. Sou a tua sombra
no lençol. Vou decifrar a luz dos teus olhos,
não me dás tempo. Os teus dedos tocam-me no rosto,
descem à garganta, começam a soletrar
o mapa do meu corpo: um grão sob a axila, uma pálpebra
que cintila, o rubor do mamilo
e já teus dentes se ocupam
do outro. Pressionas músculos e ossos
ao mesmo tempo que toco ao de leve
um seio, um lábio: quero deter-me no joelho
onde leio quedas na neve
e no ballet. Não me dás tempo.
Os corpos rodam, as mãos buscam outra terra,
outras águas. Os seios na virilha,
a barriga no pescoço. Estaremos a caminhar
demasiado depressa? Acaricias onde prometo
uma haste de sol. Uma casa voadora
na margem deste mundo tão previsível.
Erigimos com os nossos corpos
a mais efémera das esculturas. As tuas mãos
convidam-me a voar. Agora sou eu
quem não te dá tempo, escavando e descendo
à fenda silenciosa. Ouço-a. Um canto leve
e depois allegro e depois mais fundo.
Já não sei onde estou, quem sou
sobre as fontes e os rios e os abismos
de ti. Sentas-te, lama delicada, no meu peito
e desces e ajustas os teus ninhos
ao pequeno pássaro que pouco a pouco
se agita. Palpo e bebo e retenho a terra volátil.
a espuma, a vegetação de coxas, nádegas, mamas e águas
flutuantes. Ora subo ao chão ora me enterro
no ar, no lábio onde começa uma árvore
que se eleva até às nuvens. Não me dás tempo,
eu quero a eternidade mas tu não me dás tempo
para te contemplar. Ânfora nua
que bebo por fora e por dentro.
Dou-te a minha vida em troca da tua.

por Casimiro de Brito in 69 poemas de amor
fotografia de Bimbom


P.S.: confesso desconhecer o título deste poema, mas prometo tentar descobrir.

sábado, 12 de setembro de 2009

Déshabillez-moi


Déshabillez-moi, déshabillez-moi
Oui, mais pas tout de suite, pas trop vite
Sachez me convoiter, me désirer, me captiver
Déshabillez-moi, déshabillez-moi
Mais ne soyez pas comme tous les hommes, trop pressés.
Et d'abord, le regard
Tout le temps du prélude
Ne doit pas être rude, ni hagard
Dévorez-moi des yeux
Mais avec retenue
Pour que je m'habitue, peu à peu...

Déshabillez-moi, déshabillez-moi
Oui, mais pas tout de suite, pas trop vite
Sachez m'hypnotiser, m'envelopper, me capturer
Déshabillez-moi, déshabillez-moi
Avec délicatesse, en souplesse, et doigté
Choisissez bien les mots
Dirigez bien vos gestes
Ni trop lents, ni trop lestes, sur ma peau
Voilà, ça y est, je suis
Frémissante et offerte
De votre main experte, allez-y...

Déshabillez-moi, déshabillez-moi
Maintenant tout de suite, allez vite
Sachez me posséder, me consommer, me consumer
Déshabillez-moi, déshabillez-moi
Conduisez-vous en homme
Soyez l'homme... Agissez!
Déshabillez-moi, déshabillez-moi
Et vous... déshabillez-vous!

par Robert Nyel
photographie de Stanislav Blazhenkov

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Férias

Ups!!! De facto a data deste post é Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
(é o que dá aproveitar o post iniciado anteriormente)

Peço desde já desculpa por esta minha ausência prolongada. A necessidade, por motivos pessoais, de tirar férias não programadas na última semana de Agosto e na primeira de Setembro, fez com que não tivesse tido tempo para me dedicar a este blog em geral e às leitoras em particular (o meu telemóvel esteve desligado).
Assim, após uma semana de intenso trabalho no Porto, refugiei-me na ainda aristocrática Santander, na Cantábria. Apreciei a sidra, visitei ruínas proto-românicas e deliciei-me nos concertos do Festival de Música.

Santander. Fotografia de autor desconhecido.

Mas não há prazer que sempre dure, e no início de Setembro rumei ao Funchal. Confesso que prefiro Santander. A cidade do Funchal foi talvez em tempos bonita. Hoje é um caos urbanístico. É necessário fugir da cidade para apreciar a Madeira. Tenho pena de não ter tomado essa decisão logo no início da minha estadia.

Madeira. Fotografia de Amândio.

Bom, agora que estou de regresso ao Porto, espero poder retomar a atenção diária a este blog e às suas leitoras :-)

Um beijo

Pedro M

sábado, 8 de agosto de 2009

Ternura


Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

por David Mourão-Ferreira
fotografia de Ellington

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Soneto da posse


Amar é possuir. Não mais que o gozo
quero. Não sei porque desejas tanto
escravizar-me; escravizar-te. Quanto
menos me tens, mais me terás. Gostoso
é ser-me livre, alegre, escandaloso ―
o peito aberto pra cantar meu canto;
os olhos claros pra ver todo encanto;
as mãos aladas, pássaros sem pouso.
Abre-me o corpo, vem dá-me o teu vale,
e a esconsa flor que ocultas hesitante,
pois o que falo o falo sem que fale
em tom de amor. Quero vaivém, espasmo ―
um corpo a corpo num só corpo palpitante,
dois no galope até o sol de um só orgasmo.

por Ildásio Tavares
fotografia de Garm

terça-feira, 28 de julho de 2009

Encuentro


Besos, caricias, encuentros
mujeres a flor de piel.
Cuerpos desnudos
almas vestidas de amor
listas para danzar
en la fiesta de la unión.
Lucha, discurso, revuelta
intensidad que nos confronta
crecemos con energía, vitalidad y miedos.
Máscaras que caen al suelo
rodando a los pies del imperio.
Música
Alegría
Poesía
erotismo por siglos retenido
despertando hoy, para sentirnos,
bugas, lesbianas, dudosas
rompiendo cadenas
bailando al ritmo de la vida.
Brujas, magas, curanderas
entregándonos con fuerza
destruyendo esquemas.
Amigas nuevas y viejas conocidas
parejas
novias
compañeras
unidas al fin en el espacio.
Lágrimas
risas
promesas
deseo cumplidos y anhelos
volando por el tiempo
desencuentros que se quedan en el camino,
recuerdos del futuro que presiento.

por Amparo Jimenez
fotografia de Stanislav Blagenkov

terça-feira, 21 de julho de 2009

Posse intemporal


Fazer amor contigo
não é espelhar teu corpo nu
no vítreo do meu espaço
não é sentir-me possuída
ou possuir-te

É ir buscar-te
ao abismo de milénios de existência
e trazer-te livre.

por Manuela Amaral
fotografia de Ilya Rashap

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Olhos nus (II)


Vem...
Vê-me nua,
o corpo e a alma.

Rasga-me a roupa,
prende-me as mãos nas tuas.

Contorna os meus lábios
com o indicador.

Mordo-te suavemente
e aperto-me mais contra ti.

Sinto a tua erecção,
A minha resposta.

Peço-te.
Vem,
funde-te em mim.
Dá-me o teu prazer,
reencontra-te com o meu...

dedicado por uma leitora anónima
fotografia de Moi

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Olhos nus


Seu corpo nu
meus olhos vestidos
seu corpo nu
meus olhos enlouquecidos
seu corpo vestido
meus olhos nus.

por Paulo Netho
fotografia de Vasiliy Stepanov

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Amor proibido


Só quem viveu entende
Amor proibido.
Mexe com a essência da gente,
Com o libido.
Tudo fica mais excitante.
No encontro escondido
O coração bate forte,
O rosto cora.
Num simples toque de mão.
Não há quem suporte
A emoção da primeira vez,
É emoção de mais.
Mistura de medo e paixão
Arrependimento jamais.
Os sentimentos saltam aos olhos,
As palavras saem entrecortadas.
Parece que o mundo inteiro
Vai descobrir esse pecado.
Mas com tanto amor assim,
Com certeza seremos perdoados.

por Rafael do Nascimento Monteiro
fotografia de Glam

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Noite


Adoro a noite.
Nela, deposito as minhas fantasias.

Gosto de ser louca e de te enlouquecer.
Com os desejos do meu corpo.

Esta noite..
Vou confundir-te.
Deixar que o meu cheiro se entranhe em ti,
sem que me vejas.

Velas acesas, lingerie espalhada.
Estarei no quarto nua?

Vem..
Descobre onde estou..
Fica nu também.

E perde também a cabeça...

dedicado por uma leitora anónima
fotografia de Afealle

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Gatinha


Toda ela encantadora produzida,
de seda coberta aos pés todo encoberta,
mas sem calcinha muito sedutora
com a camisola entreaberta.
Dos olhos saem chispas de desejo,
os lábios húmidos odor a exalar
de fêmea sedutora e carinhosa,
mas com a alma de mulher a excitar.
Coloca-se de quatro, qual gatinha
meiga, carinhosa, toda de desejo,
ela me chama e diz que é toda minha.
E no seu lugarzinho tão querido
ela pede que estocada seja dada
e se desmancha num doce gemido.

por Norival Vieira da Silva
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sintonia


Caem as letras, uma a uma...
Cai a nossa roupa, espalha-se pelo chão,
Rebolam os versos nos nossos corpos
Em alegre sintonia.
Sinto-te na minha carne, quente...
Entras devagar, dentro de mim
E sacias-me a fome e o querer.

Transpiras-me,
Inspiras-me!

Realizo-te as fantasias mais loucas
Numa entrega indiscreta,
E quente, ardente...
Tomo-te e imaginas-me tua.
Inventamos caminhos indecentes
Para percorrermos juntos
E chegarmos, loucamente, ao fim

por Vera Sousa Silva
fotografia de autor desconhecido

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Quero um homem


Quero um homem
que toque minha alma,
que entre pelos meus olhos
e invada meus sonhos.
Quero que me possua inteira,
corpo e alma,
fazendo dos meus desejos
breves segundos de êxtase
o prazer do encontro total.
Quero sentir seus braços longos
envolvendo meu abraço,
seus lábios mudos
calando o meu silêncio
sem precisar nada dizer...
apenas me olhando
com olhos negros e húmidos
e me tomando devagar,
como o mar avança na praia,
como eu sei que tem que ser
e sei que um dia será.

por Cláudia Marczak
fotografia de Janosch Simon

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Modo de amar ― XV


A boca ― A rosa

Entreabre-se a boca
na saliva da rosa

no raso da fenda
na fissura das pernas

Entreabre-se a rosa
na boca que descerra
no topo do corpo
a rosa entreaberta

E prolonga-se a haste
a língua na fissura
na boca da rosa
na caverna das pernas

que aí se entre-curva
se afunda
se perde

se entreabre a rosa
entre a boca
das pétalas

por Maria Teresa Horta
fotografia de Garm

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Amante sensual


Abre a boca
E devora-me a língua
Em gestos soltos e precisos
Como se não te chegasse o tempo
Para me amares com loucura.
Enrosca-te nas minhas coxas
E prova o meu néctar de mulher.
Deixa-me gritar
E leva-me ao céu,
Entra em mim
Profundo,
Em movimentos perfeitos
De amante sensual,
E no fim
Sacia-me a sede
Do teu vigor.

por Vera Sousa Silva
fotografia de Trevor Watson

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Desejo


Liberto os seios,
Da renda e dos laços.
Instintivamente os braços cobrem-nos...

Avanço para a cama onde me deito.
Fico indecisa...
Afasto os braços...

Parecem desprotegidos... os seios...
Anseiam o teu toque... os bicos já duros.
Ergo a anca... tiro as cuecas já sem vergonha...

Obedeço ao que me segreda a fantasia.
Abro as pernas... o mais que posso...
Num convite... que já adivinhaste...

Inclinas-te... deixas que a tua língua brinque com o meu umbigo...
Abafo um pequeno grito de surpresa...
Mas a tua língua sabe onde a espero...
E, sem pressas, encontra-se comigo e com o meu desejo...

dedicado por uma leitora anónima
fotografia de Kacper Kiec

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Um pensamento


A língua
O beijo
O cheiro
Do amor
A água
A lágrima
Que corre
Cai, e grita
E chora
O beijo.
A língua
A fala, e fala
Do amor
Faz
Constrói
Destrói
E briga
Chora
O beijo
Do amado
Lábios molhados
Do amante
Da água
Da língua
O beijo
Um beijo
E apenas
Beijo

O

B
E
I
J
O

por Carolina Kujawski
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 2 de junho de 2009

ABC erótico


Abre-te!
Beija-me!
Cobre-me!

Amar-te é volúpia
Brincar é malicia
Carícia é pingo de mel.

Ai!
Basta!
Cala-te!

Abraço-te, queres?
Belisco-te, gostas?
Colo-me a ti, einh?

Ah!
Biscoito
Crocante!

Às nuvens subi
Bebendo o teu néctar
Crescendo-me em ti!

Ata-me!
Bebe-me!
Come-me!

Agora imparável
Brutalmente bom
Cada vez melhor!

por Noel Ferreira
fotografia de Evgeniy Bokser

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Duplar


eu e você
deixar a boca
resvalar para
a outra boca
no beijo húmido
intenso, ávido

duplar
eu e você
em par
em perna
em mão
em coração batendo
lírico, lúcido
ímpeto
de estar
de entrar
sair
ficar
entrar
gozar
em par

duplar
em voz
em beijo sôfrego
em língua húmida
nos seios túrgidos
duplos
pêssegos
bicos tépidos

duplar
em olhos cúmplices
em mãos de artífice
na pele ardente
nas mucosas cálidas
límpidas, púrpuras
em pernas escancaradas
envolventes
sobre
as costas pálidas

duplar
eu em você
em secreções, saliva
você em mim
em contracções
espasmos
múltiplos
nós dois
como um barco
à deriva
sem hora ou
lugar
para chegar

duplar
eu em você
você em mim
ávidos
máximos
gozar
em par
de modo ímpar
até ficarmos
fartos
cansados
tontos
de orgasmos
múltiplos
tantos
únicos

duplar
eu em você
dormir
e nem perceber
o corpo
sorrir.

por Nálu Nogueira
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 26 de maio de 2009

Modo de amar ― XIV


As rosas nos joelhos

São grinaldas de rosas
à roda
dos joelhos

O âmbar dos teus dentes
nos sentidos

O templo da boca
no côncavo do espelho
onde o meu corpo espia
os teus gemidos

É o gomo depois...
e em seguida a polpa...

o penetrar do dedo...
O punho do punhal

que na carne enterras
docemente
como quem adormenta
o que é fatal

É a urze debaixo
e o fogo que acalenta
o peixe
que desliza no umbigo

piscina funda
na boca mais sedenta bordada a cuspo
na pele do umbigo

E se desdigo a febre
dos teus olhos
logo me entrego à febre
do teu ventre

que vai vencendo
as rosas ― os escolhos
à roda dos joelhos, docemente.

por Maria Teresa Horta
fotografia de Bernard Edimo

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Eclipse


Vem
menina vadia
te darei o meu dia
te farei sol nascer

Vem
menina moleca
te farei uma festa
te darei meu prazer

Vem
menina dengosa
te encantarei formosa
te enfeitarei com meu ser

Vem em ti
todas as meninas carentes
todas as mulheres santas
todos os amores proibidos
todas amantes desvairadas

Dispa
em definitivo teus pudores
deflore toda tua nudez
que arde... agora afoita
em avalanche de néctar

Abrace-me
sem culpas nem escrúpulos
penetre nessa loucura
que arde... agora erecto
vermelho a te querer

Fique-me
em eclipse... em
superposições de sóis
querendo e ardendo
definitivamente nós!!!

por Djalma Filho
fotografia de Poluyanenko Alexey

segunda-feira, 18 de maio de 2009

As time goes by


Meu bem,
Me chama de Humphrey Bogart
Que eu te conto Casablanca.
Me tira esse sobretudo;
Sobretudo, conta tudo
Que eu te dou uma rosa branca.
Meu bem,
Me chama de Humphrey Bogart...
Te dou carona em meu carro
Chevrolet que sou bacana;
Te levo, meu bem, pra cama
Fumamos nossa bagana;
Te provo que sou sacana...
Te faço toda a denguice:
Te dispo que nem a Ingrid,
Te dou filhos de montão
Só pra te ver sufocar...
Mas me chama de Humphrey Bogart!
Faço chover colorido
Como num bom musical.
Te chamo de Lauren Bacall!
Te danço, te canto, te mostro,
Entre as pernas, meu bom astral...
Te deixo pro enxoval
Meu chapéu preto de gangster,
Mil poemas de ninar...
Só pra te ouvir sussurrar:
Como te amo, meu Humphrey Bogart!

por Tanussi Cardoso
fotografia de autor desconhecido

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Contracções


Abre e fecha
flechas de desejos
flashs instantâneos
quando penso em ti...
Pulsa o pulso
pulsa a flor que arde
curtas contracções
longos arrepios...
Abre e fecha
sangue bombeando
vida latejando
rega esse navio...
Pulsam bicos
seios bolinados
duros, retesados
querendo implodir...
Flor-de-cheiro
doce à la pom-pom
molha tua boca
sente quanto é bom...
Abre e fecha
pulsa e repuxa
flor-da-contracção
arde de tesão
abre minhas coxas
rompe tuas forças
seca minhas poças
e deglutes
todas as flores roxas
que um dia
desabrochaste...

por Isabel Machado
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 12 de maio de 2009

Homenagem


Ah, o pecado!
Viva o pecado
Que esconde em si
A mais casta virtude.
Pequemos todos, então,
Pois a alternativa
É sermos todos pequenos e vãos.

Deixemos correr
Mãos sobre nádegas
E olhares incestuosos
Sobre nossas próprias amantes.
Degolemos padres e pastores
(que também pecam, só que pecam
escondidos)
Pelo horror de terem inventado
As velhas beatas que nunca souberam
pecar.

E pequemos sem culpa
Porque culpa e pecado
Não sabem dançar um maxixe,
Só valsas vienenses.
Quando muito!
O pecado é belo,
Fulgurante e molhado;
Feito para ser deliciado
Como outra língua em nossa boca.

Fiquemos apenas com a angústia
Do pecado mal feito
Ou do jamais cumprido.
Pequemos o aqui e no agora
O pecado doce
Da quase-castidade abandonada.

Sem o pecado
Não acredito na sinceridade de Deus.

por Paulo Mont'Alverne
fotografia de Daniel Oliveira

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Gozo


Viro, reviro,
Revido.
Torço
Abraço
Atiro
Me afasto.
Grito
Afago
Aninho.
Me deito
Te agarro
Nos mordemos
Nos amamos.
Num impulso
te expulso.
Me seguras,
Penetras,
Me apertas
Te enlouqueço
Gozamos.
Eita, doidera boa!

por Léa Waider
fotografia de autor desconhecido

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sims


Eu quero sims...
sims na tua boca
na tua pele
no meu cabelo esparramado
em travesseiros
sims em sucessão
estroboscópica
no meu olhar caramelo
nos meus pêlos
nas gargalhadas que darei
― e darei, acredite-me.

sims brotando roucos
na garganta
escapulindo pelos
lábios, a língua
provocante procurando
sims na tua boca
no gosto da tua boca
no perfume que a tua pele
exala, no teu olhar que
inebria.

sims que quero ver
na chama que arde
trêmula, nas sombras,
sentir os sims nas mãos
que passeiam lânguidas
ávidas, a minha pele
de seda, a tua masculinidade
o teu suor, o meu suor
de quem é? de quem são?
os sims que ouço, de quem?
sinais, paixões
essas estrelas, de quem?
esse luar no cristal
esses cabelos abundantes
que cobrem teu rosto
percorrem teu corpo.

sims para cada parte
que minha boca vasculha
meus olhos nos teus
olhos sims!
nas bocas se confundindo
na língua que brinca
comigo
sims nas pernas
entrelaçadas
nas mãos e nas unhas
riscando as costas, sims!
o corpo em arco, olhos
fechados em sims,
gemidos,
sims de portas escancaradas.

por Nálu Nogueira
fotografia de H. Morgen

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sugar e ser sugado pelo amor


Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar e ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de autor desconhecido

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Modo de amar ― XIII


As pedras ― As pernas

São as pedras
meus seios
São as pernas

pele e brandura
no interior dos
lábios

rosa de leite
que sobe devagar
na doce pedra
do muco dos meus lábios

São as pedras
meus seios
São as pernas

Pêssegos nus corpo
descascados

Saliva acesa
que a língua vai cedendo

o gozo em cima...
na pedra dos meus
lábios

Jogo do corpo
a roçar o tempo
que já passado só se de memória,
a mão dolente
como quem masturba entre os joelhos...
uma longa história...

Estrada ocupada
onde se vislumbra
(joelhos desviados na almofada)

assim aberta o fim de que desfruta
o fruto do odor
o fundo todo
do corpo já fechado.

por Maria Teresa Horta
fotografia de Mark Lerman

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O deslizar


Deslizo
A sua imagem pelo meu pensamento
O seu cheiro pelo meu sangue
A sua voz, as suas palavras pelo meu desejo

Deslizo
As minhas mãos por entre as suas coxas
A minha boca pelos seus lábios
O meu corpo pelo seu

Deslizo
Tudo o que pode haver no mundo
E que no entanto somos só nós dois
A dançar como imagens oníricas

Deslizar de sonhos
de espaços intermináveis
De amores, paixões incontroláveis
Infinitas

Deslizo
Trémulo, nervoso pelo meu desejo
De não deixá-la deslizar
Por entre as minhas mãos

por Ricardo R. Almeida
fotografia de Susanne Guettler

sábado, 18 de abril de 2009

Ninguém vai saber


Ninguém vai saber
Do meu segredo.
Tenho um amante
Belo como Deus
E todo nu
Aqui deitado ao meu lado!
Seus beijos são azuis
E a sua voz vermelha como o lume!
Tenho um amante só meu
E ninguém vai saber,
Ninguém mo vai roubar,
Porque ele é meu, só meu:
É feito de poemas e de fumo...

por Julieta Lima
fotografia de Pavel Kiselev

terça-feira, 14 de abril de 2009

Saberás o que queres?


Caem as letras, uma a uma...
Cai a nossa roupa, espalha-se pelo chão,
Rebolam os versos nos nossos corpos
Em alegre sintonia.
Sinto-te na minha carne, quente...
Entras devagar, dentro de mim
E sacias-me a fome e o querer.

Transpiras-me,
Inspiras-me!

Realizo-te as fantasias mais loucas
Numa entrega indiscreta,
E quente, ardente...
Tomo-te e imaginas-me tua.
Inventamos caminhos indecentes
Para percorrermos juntos
E chegarmos, loucamente, ao fim

Inspiras-me!
Transpiras-me!
Sintonia
Voluptuosidade
Sou tua
Saberás o que queres?

por Vera Sousa Silva
fotografia de Tuta

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Delírio


Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
― Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
― Mais abaixo, meu bem! ― num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
― Mais abaixo, meu bem! ― disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…

por Olavo Bilac
fotografia de Slinky

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sobre los dulces cansancios


Hombre de la medida justa
para mis caderas,
recipiente de todos los temblores
de mi cuerpo,
madera antigua, de fino roble,
erecto.
Volcán de lava que me siembra
hacedor de los dulces cansancios,
la ondulación de mi vientre,
de mi piel estrecha y concreta.
Navégame, marinero alucinado,
navégame y viérteme luego
en tus manos.
Soy todos los frutos
y tú
todos los labios.
Bebámonos.

por Ana Milena Puerta
fotografia de autor desconhecido