sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Ânsia múltipla


Beija-me Amor,
beija-me sempre e mais e muito mais,
--- em minha boca esperam outras bocas
os beijos deliciosos que me dás!

Beija-me ainda,
ainda mais!
Em mim sempre acharás
à tua vinda
ternuras virginais.

Beija-me mais, põe o mais cálido calor
nos beijos que me deres,
pois viva em mim a alma de todas as mulheres
que morreram sem amor!...

por Gilka Machado in Mulher nua (1922)
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

As mulheres gulosas


As mulheres gulosas
que chupam picolé
— diz um sábio que sabe —
são mulheres carentes
e o chupam lentamente
qual se vara chupassem,
e ao chupá-lo já sabem
que presto se desfaz
na falácia do gozo
o picolé fuginte
como se esfaz na mente
o imaginário pênis.

por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de autor desconhecido

Férias I


Agosto... mês de férias

... durante este longo mas sempre curto mês de Agosto estarei ora dentro ora fora do Porto.
Busco o mar e as paisagens distantes.
Busco um olhar e um sorriso...

Um beijo
Pedro M

P.S.: Durante este período terei o telemóvel quase sempre desligado. No entanto, continuarei contactável via email (pedrom1966@gmail.com). Terei todo o prazer em receber as vossas mensagens e em vos responder.

Fotografia de autor desconhecido
Modelo: Ekaterina Kotenova

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Vitoriosa


Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...

por Ivan Lins
fotografia de James Landon-Johnson
model: Muirina Fae

domingo, 7 de junho de 2026

La porteuse d'eau


Sous le souffle du soleil levant, elle avance
Sa peau fragile s’illumine d’une lueur douce
Le lin se noue, comme un voile qui danse
Enserrant ses courbes où la lumière se trousse

Ses bras soulèvent la jarre avec lenteur
Son geste se déploie, pudique et silencieux
Ses yeux saisissent l'instant avec ardeur
Et l'air se fait velours autour d'eux

Le tissu glisse, dévoile un ventre parfait
Où les ombres jouent et se perdent en caresses
Le parfum des rizières et de la terre,élixir secret
Mêlé au souffle chaud qui tremble et qui se dresse

Sa nuque s’incline, gracile et souveraine
Les mèches sombres, tombent sur ses épaules
Chaque pas est peinture, douce et sereine
Et l’éclat du silence sur son corps s’affole

Dans ce décor vivant, tout semble suspendu
La jarre, le corps, l’ombre, et la lumière
Et le temps s’arrête, comme retenu
Par la beauté d’un instant pur et sincère

Sylvia 25.05.2026

par Sylvia Vdl
peinture à l'huile intitulée Femme tenant une jarre par He Lihuai

sábado, 6 de junho de 2026

Somente tua


Hoje, sou eu que te procuro...
Hoje, somente hoje, sou eu que preciso,
Sentir-te,
Sentir-te aqui junto a mim, em meu leito...
Tenho sede de ti
Faz-me desejar-te
Querer-te
Venerar-te...
Vem ao meu encontro
Consome-me e mata minha fome,
Sem questões de porquês,
Sem respostas com justificação.
Procuro-te
Preciso do teu colo,
Em jeito de menina,
Em prol do prazer de mulher.
Quero-te
Exijo de ti o que não procuras em mim.
Dá-me apenas, emoção...
Sem palavras!
Procuro gestos
Atitudes,
Apenas o som do teu corpo no meu...
Latejante, suado, cansado...
Hoje, sou eu que te procuro!

Sugestão ou da autoria de Attitude Problem
fotografia de Pam Fields

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Poderosa



Você, um homem tão intenso
de tanto fogo e desatino
a me fazer perder o senso
a me estocar a fenda e o tino
você,
que faz gostoso e é macho
como poucos nem se assemelham
lambuza e amanteiga meu tacho
e os pentelhos se despenteiam
com a tora no duro do malho
me acende queimando por baixo
no lanho do teu encaixo
até que me mele o talho
no teu deslizar no meu racho
incendiando a foda e o samba
na canção que escorre mais bamba
e a teta me dói um bocado
com teus dentes afiados nela
arrancando um leite abortado
me descortinando feito janela
metendo o escuro do lenho
na fenda macia e mais rubra
sugando tudo o que tenho
mandando, na raça, que o cubra
a anca redonda virada
pra tua torta dura e mais certa
me deixando vadia, tarada
inteira dadeira e desperta
e vem e brinca com tudo
mete uma espanhola no peito
lambuza em cima, embaixo
na força, na farra do leito
balança, na minha cara, o taludo
e me entra de tudo que é jeito
vem e me arregaça parrudo
e chupa
machuca
cutuca
lambuza
bate
mete
me usa
e eu já dano no escracho
- sou eu a tua musa -
a que dá conta do teu facho...

Sampa, 19.02.2008

por Maria Quitéria
fotografia de autor desconhecido