quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

As mil cores do amor


O ar é inalado com mais frequência.
Conjunto de sutiã e cueca no tom de carmesim e preto.
Como resistir?
O amor é complexo e tem medo de se apaixonar.
Mas confia nela e quando a vê no seu quarto toda a dúvida se vai.
Ele dá um passo em frente e parece que tudo sem ela não tinha cor.
Então, ela entende a absorção de todos os fracassos e com o dedo esticado, pálido, e com as unhas pintadas de vermelho chama-o, encolhe e estica o dedo.
Mas fica imobilizado, ela tresanda a sensualidade.
Não a pode deixar escapar, já a fez suspirar uma vez, apesar de também já ter falhado.
Um passo mais à frente e todo o seu sangue ferve...
Não pode ter medo o resto da vida..
O tempo todo tem que acreditar que tudo funcionará bem.
Neles tudo continuava igual, não há razões para não acontecer.
Um passo mais perto e ela mostra o umbigo da barriga dela de boneca ao deitar-se.
Um passo mais perto e ela já toca com as pontas dos dedos dos pés nas pernas do mesmo.
Ela transforma-o em submisso sempre que o quer encontrar ele está sem atrasos para a servir.
O calor perto dela é intenso e insuportável.
O aroma das velas aromáticas acorda-o e beija os pés dela revestidos apenas por umas meias de rede.
É difícil dizer não.
Até chega a sonhar com toda a tonalidade do corpo feminino.
Engraçado, nada muda nesta cama a mão dela aperta firme os cabelos da cabeça do rapaz para o dirigir.
Longe do romance mas perto da satisfação.
Quer-lhe dar tudo o que não conseguiu na última vez.
Eleva o rosto dele e olha-o nos olhos. Os olhos marrom estão incendiados.
— Vamos para o parque de diversões. — Sorri.
Esfrega os lábios por de baixo de um tecido fino quase transparente no rosto dele. Sente a textura das meias aos quadrados.
É óbvio que o desejo é mútuo.
Se alguém estivesse a ver também quereria participar.
A única verdade é que o íman os aproxima a cada momento.
Também entendeu que o conjunto é novo. Espera ser o primeiro a cheirá-lo.
Tão difícil recolher as mãos e não lhe tocar. Sofrer em desejo e não satisfazê-lo logo.
Ela eleva de novo o rosto dele e mostra-lhe um chicote novo. O cheiro do couro indicava-o.
Sempre o aceitou porque sabia que nunca o magoaria.
— Roupa fora. — Os lábios encarnados movem-se e logo ele obedece.
Mais um passo próximo e é beijado nos joelhos com subidas. O que o inquietava eram as fivelas do chicote balançando sobre a pele dele.
Provocadora, ela coloca 4 dos 5 dedos dele na boca.
Envolve-os com a língua áspera e húmida. Suga-os em seguida e sem forma de se controlar o seu corpo torna-se trémulo.
Mesmo a conhecer os desejos dela, ainda fica nervoso.
Entra em estado de brasa ao sentir a boca dela nos seus dedos.
O momento soft e doce torna-se em chamas quando ela agarra na mola e a aperta.
Ele trinca o lábio inferior e fecha os olhos.
Talvez seja errado, talvez as regras dela não permitam, mas ele desejava que lhe tocasse.
E se as pessoas vissem também quereriam sentir a firmeza desta mão feminina.
A outra mão agarra a pele sensível escondida.
Ambas puxam-no pra baixo enquanto os dedos dele ainda são sugados.
Mas deixa-o imóvel com os dedos cheios de saliva e larga o pénis e os testículos com firmeza.
Eleva uma perna para ele segurar e despe a meia, eleva a outra e despe. Continua a segurá-la.
Consegue avistar os actos da mulher, com um dedo a passear em si e quando se sente húmida e com o sangue a ferver cria uma melodia.
O homem começa a beijar o pé dela de novo, para não se concentrar no atrevimento dela, mas era impossível. A cada momento crescia.
Conforme subia a beijar a perna, a tesão existente roçava na outra perna.
E assim que chega à cintura lambuza as virilhas, enquanto o cheiro do prazer dela o inundava.
Já quase sem forças e trémula, puxa-o para si e ele lambe todo o seu prazer propositando mais.
— Enche-me com força.
De joelhos, ele debruça-se sobre o corpo feminino e completa o seu ser.
Retira as restantes forças e no fim beija o umbigo e sobe mas ela pára-o. Tem mais ideias para ele.
Sabe o quanto se esforçou e dá valor ao seu desempenho.
Quando o fôlego é recompensado, ela manda o homem deitar-se.
Passa as fivelas de couro no corpo dele.
Mãos para cima e não as pode mexer, pés presos na cama e os olhos vendados.
Champagne gelado cai sobre o tronco dele e em seguida pressiona a pele dele com os lábios causando fricção.
E termina por massajá-lo e sugá-lo até não haver mais o que chupar.


por Lily Silva
fotografia de autor desconhecido

domingo, 22 de outubro de 2017

Monólogo a dois


Sábia talvez inconsciente,
Doseando com volúpia, uma ancestral sofreguidão,
Ali onde o desejo mais me dói, mais exigente,
Me acaricia a tua mão.
De olhos fechados me abandono, ouvindo
Meu coração pulsar, meu sangue discorrer,
E sob a tua mão, na asa do sonho, eis-me subindo
Àquele auge em que todo, em alma e corpo, vou morrer…


por José Régio
fotografia de autor desconhecido

Poema


Crispou-se a minha mão sobre o teu sexo,
Fecharam-se-me os olhos sem querer…
De que abismos voava até ao fundo?
E a minha mão sondava
E triturava
Aquele mundo
Tão pequenino e tão complexo:
O teu mistério de mulher.


por José Régio
fotografia de autor desconhecido

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Las rosas palpitaban encima de tus senos



Las rosas palpitaban encima de tus senos
duros. Como una flora de las blancas batistas
que tus brazos rosaban cálidamente llenos,
los encajes tentaban con carnes entrevistas

¡Qué cándida lujuria en tus bucles con lazos
rojos! ¡Oh, tus mejillas, mates como jazmines,
bajo la llama negra de los hondos ojazos
sobre la pasión cálida de las rosas carmines!

Ibas hacia la vida con todo tu tesoro
intacto... Me mandaste tus pájaros de amores...
¡y te besé, temblando, tu alegría de oro
con un miedo doliente de poner tristes tus flores!


por Juan Ramón Jiménez
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Surpreende-me



Surpreende-me...
Querer desejo incontido
Lambe-me os seios
desmancha-me a loucura
usa-me as coxas
devasta-me o umbigo
mostra-me tua bravura
abre-me as pernas
põe-nas nos teus ombros
e lentamente faz o que te digo
os meus seios pendentes
nas tuas mãos fechadas
Encostada de costas quentes suadas
ao teu peito inchado
em leque as pernas dolentes
abertas
o ventre inclinado
ambos de pé colados
despertas
formando lentos gestos de ternura
as sombras brandas
tombadas no soalho leito
Corpos excitados
Em morna loucura
Estranho feito
Que em tempo perdura

por Ana Bárbara de Santo António
fotografia de Garm

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Oh minha senhora ó minha senhora



Oh minha senhora ó minha senhora oh não se incomode senhora
minha não faça isso eu lhe peço eu lhe suplico por Deus nosso
redentor minha senhora não dê importância a um simples mortal
vagabundo como eu que nem mereço a glória de quanto mais
de... não não não minha senhora não me desabotoe a braguilha
não precisa também de despir o que é isso é verdadeiramente fora
de normas e eu não estou absolutamente preparado para semelhante
emoção ou comoção sei lá minha senhora nem sei mais o
que digo eu disse alguma coisa? sinto-me sem palavras sem fôlegos
sem saliva para molhar a língua e ensaiar um discurso coerente
na linha do desejo sinto-me desamparado do Divino Espírito
Santo minha senhora eu eu eu ó minha senh... esses seios são
seus ou é uma aparição e esses pêlos essas nád... tanta nudez me
deixa naufragado me mata me pulveriza louvado bendito seja
Deus é o fim do mundo desabando no meu fim eu eu...

por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de autor Ruslan Lobanov

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Como joya de carne



Como joya de carne, como rosa de vida,
desnuda te sentabas encima de mis piernas.
Eras como una rosa abierta en un ciprés,
como una mariposa en una calavera.

Dios creaba de nuevo el paraíso
si tu risa de oro y plata bordaba mi tristeza.
Yo venía del mundo de los muertos, tan sólo
por tenerte en mis manos temblorosas y ciegas.

Después la brisa que eras tú se fue cantando...
Se apagó el sol. Ya nunca volvió el alba a la tierra.
Y en la sombra constante te perseguí, llorando
como un niño, de cima en cima, en las estrellas.


por Juan Ramón Jiménez
fotografia de autor desconhecido