sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Os segredos de Raimunda Toada

Desnudou-se toda a realidade,
Posso vê-la desnuda flor,
Tão intensa a flor do amor.
Digo-te isso sem maldade.

Minha paixão feminina.
Dos prazeres é sacerdotisa,
Toca em mim feito brisa.
Me banha tal água cristalina.

Ó sublime paz que me devora,
Ao vê-la cavalgando corcunda.
Beleza em seu corpo mora.
Mas prefiro, sincero sua bunda.
Por isso Raimunda Toada.
Empina, mostra a bundinha danada.

por Rodrigo de Souza Leão
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Posso fazer algo por ti?

A janela abre-se sobre a rua
e antes da nudez consumada
já me vês nua.

Posso fazer algo por ti?

Pisa-me que eu deixo
que faças as tuas marcas.
É uma batalha perdida.
Tenho a mão na faca.

Posso fazer algo por ti?

A carne dissolvida
na saliva.
Não o calo
e não dorme o falo.
Selo de joelhos a intimidade.

Posso fazer algo por ti?

Respiro para que não doa.
Onde acaba a roupa e
começa a pele,
para pontos mais altos
e buracos mortíferos,
algo nos impele.

Posso fazer algo por ti?

Receio como tu
o mutismo.
Não quero agarrar estrelas cadentes.
Não tenho esse desejo.

Posso fazer algo por ti?

A poesia não tem grades
mas doem-me as costas.

Mas, posso fazer algo por ti?

por Ana Pereira
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Cucharadas


El encanto
de las chocolatinas y las fresas,
como un cuerpo desnudo
con pedacitos de almendra
y unas gotas de miel.

Unos labios de trufa
y natillas calientes
con un poco de helado
y un bizcocho borracho.

La pasión del azúcar quemada
sobre la crema fría
en los postres helados.

El jadeo
de las moras silvestres,
de las claras a punto de nieve
flameadas al horno.

Un hechizo perverso
para las bocas,
para los paladares insomnes
que después de amar
todavía tienen hambre.

por Ana Merino
fotografía de Ekaterina Zarkhova

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

The library

Up the stairs he follows
scanning the countless aisles
third from the back she disappears

Approaching she sees him, a slight glance, a sly smile

Up against the wall..., he presses her
softly
gently
lovingly
Her hands on his shoulders
his mouth meets hers
his hands rest..., on her hips

As he looks, into her eyes
a hand up her dress, in her panties...
Fingers now buried in her cunt

A faint moan, a finger on his mouth, shhhhhh

"keep your hands on my shoulders" he whispers

Moist and dripping with desire his fingers massage
they let her know, the passion, he brings

Quiets her with his mouth, her eyes close,

a slight quiver... as she cums

browsing the books they glance, and without a word she smiles

The sign as they exit reads:

'Please refrain from making a noise as this is a library'


by Stanhoven
photography by Igor Tertyshny

domingo, 7 de outubro de 2018

Desejos


Senhora buscai em meu corpo teu desejo louco,
sou homem não sou santo a ti abro meu manto
e se beberes na bruma da manhã desse prazer que não é pouco,
deitarei meu corpo em teu leito te causando espanto.

Em desalento, mesmo distante do legado em jeito,
faça de meu corpo tua moradia como febre em estadia,
lânguida, em minha pele com teus delírios me deito
e de belo agrado te aninho em meu pulsante peito.

Sou teu pecado não sejas mulher ternura,
na cama tuas vontades recebo como tua melhor criatura
e pecai...muito, por prazer não perdes a candura.

Faça da carne a música como escultura bêbada
e do poema um rio solto em direção ao revolto mar,
solte o leme da escuna, naufrague nas ondas desse lindo namorar.

por Douglas Mondo
fotografia de Stanislav Blagenkov

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Negra



por uma nesga
feita com unha e fúria
eu te descubro

e me embrenho em sua grenha
selva de seiva que ferve
e espuma e chupa

o que de mim escapa: jato
ejaculado gesto
ou projétil que no tenro

se enterra
e entra: entre, na entranha
no carbono do escuro

garatuja o gozo que no fundo
se abre
e berra, decalque de luz, que fura

o negrume úmido que você
mucosa, encerra
corpo de crepe, polpa e grito

crua garganta da vagina
grelo vermelho
que lateja em nua boca de carne

por Armando Freitas Filho
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 4 de setembro de 2018

A flor da pele


Vou deslizando meus dedos por essa estrada sedosa,
Em cada curva que passo, um odor, novas surpresas:
É tua pele macia, horizonte de belezas,
Delícias de minha vida, companheira, saborosa...

Em tua cútis, a boca rastejo, de sul a norte,
Provocando em cada pêlo um gostoso arrepio,
E sinto que te contorces como a gazela no cio,
E te envolvo, faminto, e te abraço bem forte...

Inexplicáveis momentos de ternura, de paixão,
De corpos embriagados, em transe de comoção,
Com gemidos e suspiros saltando à flor da pele...

E prossigo no caminho de mistérios tão infindos,
Amando teu ser completo, fitando teus olhos lindos,
Até que afinal, num beijo, meu prazer tua boca sele...

por Piero Valmart
fotografia de autor desconhecido