domingo, 13 de agosto de 2017

¡Hermana!



¡Hermana! Deshojábamos nuestros cuerpos ardientes
en una profusión sin fin y sin sentido…
era otoño y el sol —¿te acuerdas?— endulzaba
tristemente la estancia de un fulgor blanquecino…

Luego —los ojos grandes como carbones rojos—
te arreglabas la toca, el velo… y sin ruido
te ibas, como una sombra, a la capilla aquella
perdida entre opulentos rosales amarillos…

Venían días tristes en que te recogías…
mi amor se hacía más inmenso y más sombrío
y cuando tú surgías, más pálida que el agua,
encontrabas mi pecho como un pájaro el nido…

Tú creías que Dios te miraba… En las tardes
de huracán y tormenta temblorosa de frío
ibas, los ojos bajos, pegada a las paredes,
con el corazón asustado como un niño.

por Juan Ramón Jiménez
fotografia de Ruslan Lobanov

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Cunilingus



Una rosa abierta, desgarrada
de pliegues rosaroja
esperando tu boca.

Tu experimentada boca
tu boca loca, de lengua loca.

Vuelvo a pedirlo, desde que
dejasteis temblando mi alma
herida de suspiros y vacíos.

Mis caderas suben y bajan
mi garaganta grita
se retuerce mi cuerpo.

Tus dedos aprietan la piel que nace
debajo,
mientras juegas al efecto negativo
con la lengua.

LLegas y te enfrentas sin pedir
permiso, mientras las manos
recorren la madera lustrosa
de hombre.

Cerrar los ojos convencida
que estas con tus alas desplegadas
ángel maldito, adictivo y entregado.

Cae la tarde, y tambien la espuma
sobre mi vientre
tus olas se han venido rabiosas
descaradas y violentas.

La tibieza de las células derramadas
por doquier sobre mi espalda
transformada en agua alimenticia,

No estás...
te has ido con la escarcha de la mañana
a mi me han brotado hijos en los pezones
recordando tu boca loquísima.

Nada impide que me apetezca
lo mismo mañana, hoy mismo
aunque no navegues mis aguas!

por Nina Salinas (César)
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 18 de julho de 2017

Me mirabas



Me mirabas y reías en la sombra,
con esa expresión pura e inocente.
Aquella que cautiva y provoca
el pensamiento sórdido e indecente.

Bailaste tan impúdica y femenina,
con un atuendo parvo y estrecho,
ostentando tus sensuales ligas
sobre la seda negra de nuestro lecho.

Tu lengua jugueteaba con mi vista,
estimulando el deseo de tus labios.
Alzaste tu vestido, cual musa atrevida
con movimientos lentos y sabios.

De rodillas, me mirabas,
tentando mi género con tus manos.
Sonreías traviesa y succionabas
presa de un apetito desquiciado.

Ansiosa relamías y, me mirabas
como queriendo cada vez más.
Tus ojos delineados me acechaban
con una perversión estimulante.

Cual ramera escupías, mamabas...
¡Y me mirabas, haciéndolo más intenso!
Exhibías tu lengua y luego te apartabas
dejando un hilo pegajoso y tenso.

Decías acaba sobre mí, lo quiero...
y abriendo tu Entonces sentía un fuego interno,
que al apreciar posabas la cara.

Y mostrando tu lengua lechosa.
Fuí adicto a la felación,
de tu garganta y labios de diosa.

por Arcanvm (César)
fotografia de autor desconhecido 




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Meu chocolate



Ao leite ou derretido
Com passas ou crocante
Puro ou pervertido
Com recheio
É excitante
Eu saboreio
Te mordo
E meu corpo todo
Lambuzada
Chocolate
Fina arte
Transformada
Misturada
Ao sabor supremo
Meu chocolate
Meu veneno
Você é arte
Só você extermina
Minha melancolia
Você, serotonina
Que me vicia

por Liz Christine
fotografia de autor desconhecido

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Fecundação



Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente
de dentro deles teu amor me espia.

Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer ser corpo,
de criação que anseia ser criatura

Tua mão contém a minha
de momento a momento
é uma ave aflita
meu pensamento
na tua mão.

Nada me dizes,
porém entra-me a carne a persuasão
de que teus dedos criam raízes
na minha mão.

Teu olhar abre os braços,
de longe,
à forma inquieta de meu ser,
abre os braços e enlaça-me toda a alma.

Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos meus poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
de que se vai abrir
todo meu corpo
em poemas.

por Gilka Machado
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Paixão porta adentro



Paixão porta afora
não se comporta:
pernas sobre pernas,
desliza a pele lisa,
vestido sobe
e tronco desce
nu
até encostar
calor com calor
seco com úmida
e equilibar
e desequilibrar.

Âmago à porta,
como se esperasse
— gosta de estar à porta;
sentir que o rosto umedece
com um pulsar
antes de provar do chão
liso,
depois, enfim, desce,
trespassa o batente
e sente até os pés molhar,
seco com úmida,
finalmente, unidos.

Paixão porta adentro.

por Saulo Pessato
fotografia de Simon Bolz

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Carla


Nua, quando beija
a minha boca Carla,
tarde, alarma a calma,
quero abocar-la.

Carla, a minha boca
quieta, pois é tua,
quando fala, cala-me!
Carla-me...

por Saulo Pessato
fotografia de Simon Bolz

domingo, 25 de junho de 2017

A bunda, que engraçada


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora — murmura a bunda — esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.

por Carlos Drummnod de Andrade
fotografia de autor desconhecido

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A well-tempered keyboard


Now that I am finally getting laid again
my piano playing is improving. What else
would I do in those moments of waiting
bathed, perfumed, satinned, variously
analgised and anaesthetised?

It seems impossible to me now, that
anyone could play Bach without thinking
of sex. More than the insistence of that
pulsing left hand chord, it’s the way we move
from key to key as if harmony were a body.

My fingers are getting nimbler; I can dream
of grace in those quick passages, almost
believe that nerves could heal. I’ve noticed too
that these days sex ends like a chorale, a single
note slipping into the home chord: a-a-men.

by Helen Clare in Mildly Erotic Verse
photography of unknown author

terça-feira, 20 de junho de 2017

Amor — pois que é palavra essencial


Amor — pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

por Carlos Drummnod de Andrade
fotografia de Leigh Perkins (Mighty Aphrodite)

Longa ausência

Peço-vos, minhas leitoras, desculpa por esta minha algo longa ausência.
As últimas semanas, de facto os últimos dois meses, têm sido um período de intensa actividade profissional, o que não me tem permitido dedicar o devido tempo àquilo que realmente me dá mais prazer: a vossa companhia... literária.
Espero retomar, durante as próximas semanas, um contacto mais frequente convosco.

Um beijo
Pedro M

terça-feira, 14 de março de 2017

Retratos de Mulheres (extracto)



Primeiro interessou-me o seu ar espiritual,
as suas idéias, a sua percepção do mundo.
Depois notei o perfume, doce e delicado,
as marcas de baton nos copos descartáveis,
os seios que eram como pêras maduras.
E foi num debate — ela sentada, eu de pé —
sobre a existência ou não existência de Deus
— ela citando o Evangelho, eu Mersault —
que o telefone tocou e para atendê-lo
ela revelou a espantosa delícia
que eram as suas coxas grossas e rijas.
Estremeci e concluí que deus ou a alma
são coisas distantes e sem propósito.
Quero fodê-la, penso e afirmo
com toda a vulgaridade que permite a poesia.

por Daniel Francoy in Em Cidade Estranha/Retratos de Mulheres
fotografia de autor desconhecido

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A língua lambe


A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

por Carlos Drummnod de Andrade
fotografia de autor desconhecido

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Uma menina


água, tua música de pele
e cheiro fluindo de florações
impalpáveis, chuva acesa
no centro do abismo, onde flutuam
manhãs

terra, teus passos tua voz teus
ruídos de amor e um gozo
além das cordilheiras do sonho
tecendo galáxias, vertiginosa
raiz

ar, teu gesto marinho, olhos
feitos do arremesso do mar
e a centelha invisível a mover
os labirintos do vento, cósmica
serpente

fogo, teu corpo de medusas
e feridas vivas, vulcões,
planeta todo luz, talvez paixão,
pássaro tatuado nas estrelas,
coração

por Afonso Henriques Neto
fotografia de David Hamilton

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Parched


With each warming word,
each lusty sighing breath
you draw my milky fluid forth
tissue swelling swollen sweet
lotus bud bursts to blooming
wetness wild drenching
inner thighs sex slipping
against one another
engorged with red love
squirming delirious discomfort
the best kind of torture…
so take me home with you
tease me hard till I come
heaving heavy hot breaths
watching you privately perform
show me your thick pulsing heat
fill me with it hard and deep
let my rosy gates welcome
you in with warm wet embrace
over and over, over and over
dehydrated by climactic end
thirsty for hydration, I beg
drip drops of quenching water
in my gaping mouth if I behave
then show me exactly what
to do to you once more
to please your soul with mine
to make me parched again

by Emily Clapper
photography of Stanislav Blagenkov