quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Deleite


Doce homem
meu amado
meu amor.
Que êxtase
ver seus olhos
se abrirem em
raios de luz
seu corpo
desmanchar-se
em iluminado prazer
e seu sexo alçar vôo
nas vezes em que
minha boca viaja
na sua anatomia.

por Stela Fonseca
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Nossa Primeira Vez...


(Costuma-se muito dizer
Que o melhor mesmo da festa
É a gente esperar por ela...)

Eu ando assim, meu amor:
O desejo aumentando...
Suspiros e devaneios,
Arfante roçar de seios,
Meu corpo está te chamando...

Percebo, dia após dia,
Que me desejas também.
E, enquanto não chega a hora,
Eu sonho, tal como agora,
Que desta vez você vem.

Que gosto terá teu beijo?
Um sabor de ambrósia
É o que estou imaginando,
Mas só saberei sugando
A tua boca macia...

Que aroma terá teu corpo?
Perfume de sedução...
Quero cheirá-lo inteirinho,
Saboreá-lo todinho,
Explodindo de paixão...

Nesta espera alucinada
Por tão ansiada festa,
Prazeres que tanto quero,
Em meu desejo sincero,
Aguardar é o que me resta.

Quero entregar-me inteira,
Com total insensatez,
Deixar-te me devorar,
E alucinadamente gozar
A nossa primeira vez...

por Maraína Bastos
fotografia de Tur Anatoliy

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Possuída


Ahhhhh......
Acolher-te em mim, amado,
Que sensação incrível...
É navegar num mar
Ardente, aprazível,
É notar que, afinal,
Pra isso vale a vida...
É um prazer total
Sentir-me possuída,
É provar as delícias
Aos deuses reservadas,
É fartar o instinto,
Pois com você me sinto
De todas a mulheres
A mais das desejadas...

por Maraína Bastos
fotografia de Vlad Gansovsky

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Intervalo Amoroso


O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?

Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?

Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?

Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?

O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?

por Affonso Romano de Sant'Anna
fotografia de Ilya Rashap

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Tentação


Não me tente, ó menina,
Com essa beleza divina
Que me mostra, quase nua...
Não me tente, que enlouqueço,
E dos pudores esqueço,
Ante o que me insinua...

Há tempos que a desejo,
Sonho doido com seu beijo,
Sua boca de sedução...
E agora a vejo assim,
Projectar-se sobre mim,
Com tanta provocação...

Se me tenta, desejosa,
Qual uma gata manhosa,
Com tanta desfaçatez,
Vou deitá-la sobre a relva
E qual as feras na selva,
Possuí-la de uma vez!

por Piero Valmart
fotografia de Georgy Velichkov

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Uma explicação que é vos devida

Nas últimas semanas, e por razões pessoais primeiro e profissionais posteriormente tenho tido muito pouca disponibilidade. Como consequência não tenho actualizado este meu blog, nem respondido aos vossos comentários, com a frequência que desejaria. Pelas mesmas razões, tenho tido o telemóvel desligado. Espero que daqui a cerca de uma semana possa regressar aos meus hábitos normais de trabalho e lazer. Entretanto terei muito prazer em manter o contacto via email.

Beijos
Pedro

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Como são belos os teus seios


Como são belos os teus seios! Foram feitos
à medida das minhas mãos. Pousa-os
na minha boca e conta-me
a tua história. Não tens
história? Não tens noite nem vazio nem praia
branca? Fala-me então
do sol, da migração dos pássaros, da mansidão
das estrelas ― fala-me de ti antes de possuíres
um nome, uma história. Sim
em qualquer parte
lançaremos os nossos corpos na relva; alfaias
efémeras; armas exíguas
ardidas na guerra. Como são belos
os teus seios! Trémulas
palavras. Deixa que neles eu me queime como quem
se deita num rio. Sinto
a terra mover-se. Iluminas
as águas e as estrelas. O percurso
é longo. O silêncio montanhoso. Debruço-me
na tua solidão.

por Casimiro de Brito in 69 poemas de amor
fotografia de Afealle


P.S.: que me perdoe o autor a ousadia de dar um título ao seu poema.