terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

O sexo é sagrado...


O sexo é sagrado,
como salgadas são as gotas de suor
que brotam dos meus poros
e encharcam nossas peles.
A noite é meu templo
onde me torno uma deusa enlouquecida
sentindo teus pelos sobre a minha pele.
Neste instante já não sou nada,
somente corpo,
boca,
pele,
pêlos,
línguas,
bocas.
E a vida brota da semente,
dos poucos segundos de êxtase.
Tuas mãos como um brinquedo
passeiam pelo meu corpo.
Não revelam segredos
desvendam apenas o pudor do mundo,
descobrem a febre dos animais.
Então nos tornamos um
ao mesmo tempo em que
a escuridão explode em festa.
A noite amanhece sem versos,
com a música do seu hálito ofegante.
O sol brota de dentro de mim.
Breves segundos.
Por alguns instantes dispo-me do sofrimento.
Eu fui feliz.

por Cláudia Marczak
fotografia de Pyasetskiy Roman

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Inevitável


Inevitável foi o toque
a procura
a consumação da loucura
a transformar nós dois
em um.
Nada foi comum
Tudo foi vital
anormal...
dentro da normalidade contida
no ato.
Inevitável foi o tato
e meus seios foram teus
... tudo... o corpo todo
sentiu-te em gula
nas entranhas
nas loucas manhas
da manhã-festim...

Inevitável
tatear-me em falso
pra sentir-te pleno
em mim...

por Isabel Machado
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Les sens


Rien pour retenir
L'épanchement de mes sens en éveil
Le volcan en éruption de mes désirs
Entre mes vallons tu t'engonces
Au rythme furieux des marées
Ton mât hissé
Mes voiles au vent
Prêts à engendrer la tempête
En orbite des mamelons
De mes seins engorgés.
Prends-moi vite lentement
A tâtons, en plein jour
Ivre je consens
Ondulante pieuvre
D'extrémités qui s'enfoncent
De langues fuyantes qui lapent assoiffées
Les fuites cristallines de nos étreintes enflammées.
Le violon strident de nos corps tendus
Abouti chaviré en crescendo d'extase.
Entre mes cuisses jaillit l'amour
Coulée de lave incandescente
Que j'étends de mes paumes ouvertes sur mes flancs haletants,
Appaisée.

par Barbara Serdakowski
photographie de Will Santillo

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Poemas para a amiga (Fragmento 3)


É tão natural
que eu te possua
é tão natural que tu me tenhas,
que eu não me compreendo
um tempo houvesse
em que eu não te possuísse
ou possa haver um outro
em que eu não te tomaria.
Venhas como venhas,
é tão natural que a vida
em nossos corpos se conflua,
que eu já não me consinto
que de mim tu te abstenhas
ou que meu corpo te recuse
venhas quando venhas.

E de ser tão natural
que eu me extasie
ao contemplar-te,
e de ser tão natural
que eu te possua,
em mim já não há como extasiar-me
tanto a minha forma
se integrou na forma tua.

por Affonso Romano de Sant’Anna
fotografia de Aleksandr Zhernosek

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

A uma virgem


Ah! tu nem sabias que a tua púbis
tinha a exacta medida da concha
de minha mão, nem suspeitavas
quanto de teu seio transbordaria
da outra que por trás te enlaçava.
Só mal medias o espanto
de sentires-me o hálito arfar
em teus cabelos e em ti toda
com que te perdeste, já rendida
na surpresa de saberes-me
contra a firmeza da tua carne,
no trémulo susto da tua pele
que há tanto tal dia esperava.

Sussurraste ainda a medo
não quero, sou tão nova! Mas tudo
te era já maduro e quente
em tua boca de sede e línguas,
aberta como já essoutros lábios.

Nem choraste como choram
vãs as que perdidas se acham.
Nem uma lágrima te caiu. Era
apenas o suor puro e o sangue
e teus loucos olhos líquidos
que naquela hora e nos lençóis
ofereceras à vida misturados,
não por mim bem o sabias,
mas por outro que em tua casa,
daí a meses, daí a anos, todas
as noites se deitaria a teu lado,
cumprindo o destino de ter filhos.

Talvez por isso tenhas dito,
sem sorriso triste, sequer com gesto de
fingido amor, mas de olhos seguros,
certa quanto eu que nem haveria adeus:

Deixa, não foi nada, não tem mal.

por Manuel Rodrigues
fotografia de Aleksandr Zhernosek

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Sinto em meu corpo


Sinto em meu corpo
sua língua.
Que me arde
Como se fosse
um chicote
de
fogo.

E mesmo que
eu não queira
me induz
a jogar
o seu
jogo.

Me entorpece
os sentidos,
abafa-me
os gemidos
até provocar
o meu
gozo.

Que poder
é esse?
Que sedução
devassa,
é essa
que sinto
sempre
que você
me abraça?

Só de lhe ver
me arrepia
a pele, em
choques
térmicos.
E me rendo
pacífica
aos seus
desejos
hipotéticos.

Me excita e
me choca
a sua ousadia.
Mas sempre
mais e mais,
como num
crescendo,
embarco
na sua
fantasia.

E quando
entregue
aos nossos
devaneios
sentindo
em meu
corpo
os seus
meneios,
nada mais
importa.

Abrimos do desejo
as portas,
simplesmente
porque
você é
meu homem
e eu...
sou sua
mulher...

por Asta Vonzodas
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Suspiro gotas


Suspiro gotas
Entre sedas e cetim
Num bailado de cadencias distantes
Dos desejos incontidos
Suspiro gotas
Entre o roçar da pele
Sob o incenso vaporoso
Da sedução do amor
Suspiro gotas
Na dança de corpos desnudados
Entre a chama sibilante
Do aroma que paira no ar
Arrepios saem
Num ápice entre gemidos
Da inconsistência bruta
Dessa ânsia que assenta em mim
Suspiro gotas
Gemidos saem
Estremecimentos expelidos
Numa dança sem fim

por Maria Escritos
fotografia de Marina Beylina