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sábado, 4 de maio de 2024

Elegia Recolhida


Agitação...
esquecer da agitação
Necessidade insatisfeita?

A luta,
no canal se deita
Numa sesta vertical,
Acre fúria, na horizontal...
Relanceio... (na rota sorvida)
Pastosa, no lamber fundida...

Arde-me o olhar,
do que no teu brilha...
Ri-me na boca,
O riso,
que enche a virilha!

Prazer que apazigua
penhor de uma explosão
Ardencia nua!...
Abjecto determinação...

Beijo-te...
o fruto transporta...
Abraço-te num vórtice
Minaz, de ponta a ponta...
(aponta)

Abre-se lenta...
Como uma boceta,
A vieira secreta...
Capricho começa
Ao ardor, de querer, se continua...
Numa fincada de charrua
Rompe a centelha,
Ardente,
A fornalha vermelha...

Na ânsia,
muda-se a promessa
Fausto,
o balanço tropeça
Jorra no oculto
(Mestiça)

Afoga-se, no vulto...

por Luísa Demétrio Raposo in Respiração das Coisas
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 30 de abril de 2024

Desejo Esparzo


Mesmo sem te conhecer,
Eu te descobri em tudo e no tudo te quis!...
Desejei...
Suspirando numa sensualidade esparsa...
No simples acaso no olhamos,
O beijo propositado,
Onde nos incendiamos...

Recolhe-me nas narinas o teu cheiro...
A tua boca no meu peito...
De ti todo em mim...
Embebe-me completa e indelevelmente ao ponto de contigo me fundir e em ti eu me devasso...

Entusiasmo voraz... num gorjeio, na tua boca fresca onde fomos infinitamente felizes...

O paladar, delicado, é como morder um pessego com os lábios ...

O entusiasmo ardente,
O teu junco flexível,
Haste de feno,
Nas minhas folhas coado,
Num...
Tremente lago debruçado...
A chama esperta,
Extenso caudal, limite em que, ofegante, eu me esparzo...

por Luísa Demétrio Raposo in Respiração das Coisas
fotografia de autor desconhecido

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Gula


Os sentidos, qual é o sentido?
Dois são pendentes , e um sentido...

Estava alto e tenso, o orgão vivo,
O estimulo inflecte nas minhas mãos!...

Havia a boca que o tinha... Devastador...
Todo o organismo, neutro vago tremor !

Em ti há chamas em... Num estrídulo duro.
Sucção da boca, que tem na boca, tem, na língua da boca...

Latente, que bate, na fronte, em frente , tua frente louca!
É na boca, é atraz, é na lingua, é atraz, voz que suspira, rouca...

Torrente impetuosa, incandescente , extrema tensão!...
Na exausta haste erecta... Numa gula fascinação...

por Luísa Demétrio Raposo in Respiração das Coisas
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 7 de março de 2019

Carta saudade do Pénis Astro



Minha amada Rosa antes que a brisa da manhã se rasgue e se levante a noite avanço fechado numa fonte secretamente onde bato no jardim, deste amado (de pesados frutos).
Assento traqueia-me numa orgia pensar no pensamento;

« No meio dessas tuas trancas levanta-se o meu, pescoço, pastando entre essa boca negra...
As frutas redondas, por força dessa tua doçura interna... nevam letras neste meu rosto, lembrando, pensando, correndo ao som delas...
... fecha... fecha nelas tudo aquilo o que se fecha...
Palma negra onde pousam as águas banha-se nela o leite... e os teus lábios maciços perfumados... Lembrada, lembrando esse teu lenço vivo, aberta!...
... é a loucura correndo com o teu nome... é loucura balouçando entre essas tuas linhas lavradas...
Rósea genital, quadris negros e molhados...
Ah!... (lembrar)
O alto aberto nos teus corredores vaginais...
A ponta das falangetas treme... é golfada pungente num rasgão vocal;
Ferroada branca... leite desordenado!
Oxigénio sélvatico!... »

De mãos entre a cabeça e a cabeça entre fôlego e a escrita...
Dolorosa esta distância incandescente, parte a minha ressaca silênciosa sobre níveis tão primários , enxuto e raspado desejo-te agora na saudade...

Teu,
Pénis Astro

por Luísa Demétrio Raposo
fotografia de autor desconhecido

sábado, 11 de setembro de 2010

Confissão da Rosa Genital


Dormes meu coração?

O tédio aqui é imenso e nesta hora em pensamentos lentos é no teu pénis que penso...

Sentir-te em...
Pensar nisso faz-me fome, rasga-se o desejo em mim num gomo, amor meu, mas quando é que eu te como!?

Quero-me em ti para me perder aqui!
Frémito calor, ardente de nós os dois;

No antes!... No durante!... E no depois!

Sinto teus lábios em minhas entranhas, perco-me em suplicas estranhas...
As tuas mãos ávidas descobrem meu corpo, a tua língua quente é uma maliciosa serpente...
Profundo e pérfido, desejo louco num misto prazer nos deixa feliz amor, com tão pouco...

Desejos!... Sabores!... Loucuras!

Num êxtase sinto a tua mão a vergar...
Minha boca quente, ardente, sempre a sugar!...
Gemidos são prazer, na louca vontade em tanto em mim te querer!
Sonhar-te tão dentro, sentinela hirta em cada pancada, a tua, quente e nua ...
Fazer amor contigo, fazer amor com o sentido, vem, vem cá ficar dentro em mim escondido;
A tua boca minha descoberta, o suor em tremor... e eu toda aberta...


A lembrança do olhar dentro da tua íris a navegar, a navegar... a navegar...
Está na hora do nosso prazer terminar, vem...
Vem cá abraçar e tomamos juntos um banho quente?

Mas antes faremos amor novamente!...

Beijo

Da tua sempre

Rosa

por Luísa Demétrio Raposo in Respiração das Coisas
fotografia de Simon Bolz