sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Modo de amar II


Pôr-me-ás de borco,
assim inclinada…

a nuca a descoberto,
o corpo em movimento…

a testa a tocar
a almofada,
que os cabelos afloram,
tempo a tempo…

Pôr-me-ás de borco;
Digo:
ajoelhada…

as pernas longas
firmadas no lençol…

e não há nada, meu amor,
já nada, que não façamos como quem consome…

(Pôr-me-ás de borco,
assim inclinada…

os meus seios pendentes
nas tuas mãos fechadas.)


por Maria Teresa Horta in As Palavras do Corpo
fotografia de Gordon Denman

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