São tantos
os silêncios da fala
De sede
De saliva
De suor
Silêncios de silex
no corpo do silêncio
Silêncios de vento
de mar
e de torpor
De amor
Depois, há as jarras
com rosas de silêncio
Os gemidos
nas camas
As ancas
O sabor
O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.
por Maria Teresa Horta
fotografia de autor desconhecido
(sugestão de uma leitora anónima)
57 anos, profissional liberal. Vivo no Porto. Adoro mulheres sensuais, apaixonadas, vibrantes... Acompanhante masculino. Simpático, discreto, culto, meigo e carinhoso. Desloco-me a domicílios, hotéis e motéis. Disponibilidade algo limitada, por motivos profissionais. Qualquer encontro deverá ser marcado com alguma (pequena) antecedência.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Antecipação
Entreabro as minhas
coxas
no início dos teus beijos
imagino as tuas
pernas
guiadas pelo desejo
oiço baixo o teu
gemido
calado pelos meus dentes
imagino a tua boca
rasgada
sobre o meu ventre
por Maria Teresa Horta
fotografia de autor desconhecido
terça-feira, 17 de março de 2015
Segredo
Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
por Maria Teresa Horta
fotografia de autor desconhecido
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Novembro segundo Simon Bolz e Maria Teresa Horta
Antecipação
Entreabro as minhas
coxas
no início dos teus beijos
imagino as tuas
pernas
guidas pelo desejo
oiço baixo o teu
gemido
calado pelos meus dentes
imagino a tua boca
rasgada
sobre o meu ventre
por Maria Teresa Horta
fotografia de Simon Bolz
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Troco
Eu troco
ponho e disponho
da diferença do meu corpo
no agasalho da nuca
a penumbra do pescoço
Ombros a meio divididos
onde as asas já despontam
para a ternura das nádegas
fazendo tudo
o que contam
Dispo
troco digo e ponho
os dedos no espaço incerto
onde a língua toma o gosto
do que fica a descoberto
por Maria Teresa Horta,
fotografia de autor desconhecido
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Arrebatada
Eu não quero a ternura
quero o fogo
a chama da loucura desatada
quero a febre dos sentidos
e o desejo
o tumulto da paixão arrebatada
Eu não quero só o olhar
quero o corpo
abismo de navalha que nos mata
quero o cume da avidez
e do delírio
sequiosa faminta apaixonada
Eu não quero o deleite
do amor
quero tudo o que é voraz
Eu quero a lava
por Maria Teresa Horta
fotografia de Garm
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Modo de amar II
Pôr-me-ás de borco,
assim inclinada…
a nuca a descoberto,
o corpo em movimento…
a testa a tocar
a almofada,
que os cabelos afloram,
tempo a tempo…
Pôr-me-ás de borco;
Digo:
ajoelhada…
as pernas longas
firmadas no lençol…
e não há nada, meu amor,
já nada, que não façamos como quem consome…
(Pôr-me-ás de borco,
assim inclinada…
os meus seios pendentes
nas tuas mãos fechadas.)
por Maria Teresa Horta in As Palavras do Corpo
fotografia de Gordon Denman
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Carmim
Não te digo tanto quanto
quero
nem te faço tudo quanto sonho
Não me basto junto a ti
secreta
quanto me entrego e a ti me oponho
Não te conto sequer
porque imagino
ser o desejo o carmim da boca
Morro de sede perto dos teus lábios
de ti quero ir bebendo
e ficar louca
por Maria Teresa Horta in As Palavras do Corpo
fotografia de autor desconhecido
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Vertigem
Quando sob o meu
está o teu corpo
e eu nado dentro
do desejo e enlaço
os teus ombros as ancas
e o dorso
enquanto o espasmo se faz
num outro abraço
Desprendo a boca
depois
no grito solto
mordo-te os pulsos
ambos
no orgasmo
volto ao de cima
da água
do meu gosto
Bebo-te a vertigem
e em seguida o hálito.
por Maria Teresa Horta
fotografia de autor desconhecido
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Poema ao desejo
Empurra a tua espada
no meu ventre
enterra-a devagar até ao cimo
Que eu sinta de ti
a queimadura
e a tua mordedura nos meus rins
Deixa depois que a tua boca
desça
e me contorne as pernas de doçura
Ó meu amor a tua língua
prende
aquilo que desprende da loucura
por Maria Teresa Horta
fotografia de autor desconhecido
terça-feira, 15 de maio de 2012
As nossas madrugadas
Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito
pois suspeitas
que com ele me visto e me
defendo
É raiva
então ciume
a tua boca
é dor e não
queixume
a tua espada
é rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas
E tomas-me de foça
não o sendo
e deixo que o meu ventre
se trespasse
E queres-me de amor
e dás-me o tempo
a trégua
a entrega
e o disfarce
E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lenços que desfazes
na pressa de teres o que só sentes
e possuires de mim o que não sabes
Despertas-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo
e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.
por Maria Teresa Horta
fotografia de Mikhail Vjuzhanin
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito
pois suspeitas
que com ele me visto e me
defendo
É raiva
então ciume
a tua boca
é dor e não
queixume
a tua espada
é rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas
E tomas-me de foça
não o sendo
e deixo que o meu ventre
se trespasse
E queres-me de amor
e dás-me o tempo
a trégua
a entrega
e o disfarce
E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lenços que desfazes
na pressa de teres o que só sentes
e possuires de mim o que não sabes
Despertas-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo
e eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vais descobrindo vales.
por Maria Teresa Horta
fotografia de Mikhail Vjuzhanin
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Gozo XII

São tuas as pálpebras
dos meus dias
tal como a laranja do lago
estagnado
é a lua do lago ao meio dia
quando o sol dos ombros está
rasgado
São teus os cílios
que as noites utilizam
é tua a saliva dos meus
braços
é teu o cacto que no ventre
incerto
debruça levar os seus
orgasmos
Não tenho mais que te dizer
das coisas
que tudo o mais te faço eu
deitada
enquanto sentes que o teu corpo
cresce
por dentro do mundo
na minha mão fechada
por Maria Teresa Horta
fotografia de autor desconhecido
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Gozo XI

Conduzes na saliva
um candelabro aceso
um chicote de gozo
nas palavras
E a seda do meu corpo
já te cede
neste odor de borco em que me abres
Sedenta e sequiosa
vou sabendo
a demorar o tempo que se espraia
ao longo dos flancos que vou tendo:
as tuas pernas
vezes teu ventre
A tua língua
vezes os teus dentes
na pressa veloz com que me rasgas
por Maria Teresa Horta
fotografia de Payaso
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Gozo X

São de alumínio
os flancos
e de feltro a língua
de felpa ou seda
a abertura incerta
que cede breve a humidade
esguia
presa no quente do interior
da pedra
Ou musgo doce
de haste sempre dura
de onde pendem seus dois mansos frutos
que a boca aflora e os dentes prendem
a tatear-lhes
o hálito e o suco
por Maria Teresa Horta
fotografia de Garm
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Gozo IX

Ondula mansamente a tua língua
de saliva tirando
toda a roupa...
já breves vêm os dias
dentro de noites já
poucas.
Que resta do nosso
gozo
se parares de me beijar?
Oh meu amor...
devagar...
até que eu fique louca!
Depois... não vejas o mar
afogado em minha
boca!
por Maria Teresa Horta
fotografia de autor desconhecido
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Gozo VIII

Em cada canal
a sua veia
o veio que entumece
no fundo da sua teia
Em cada vento
o seu peixe
no tempo que a água tenha
sedosa na sua sede
viciosa em sua esteira
Da seda
o tacto e o suco
dos lábios à sua beira
como se fosse um beiral
do corpo
p'ra língua inteira
ou o lugar para guardar
o punhal
que se queira
Em cada punho
o seu ócio
um cinzel
de lisura
com a doçura do pranto
da prata e bronze
a secura
O travesseiro não apoia
as pernas já afastadas
mas ajusta as ancas dadas
Escalada
que se empreende na pele das tuas nádegas
Em cada corpo há o tempo
no gozo da sua adaga
Mas só no teu há o espasmo
com que o teu pénis
me alaga
por Maria Teresa Horta
fotografia de Garm
domingo, 27 de novembro de 2011
Gozo VII

São as tuas nádegas
na curva dos meus dedos
as tuas pernas
atentas e curvadas
O cravo — o crivo
sabor da madrugada
no manso odor do mar das tuas
espáduas
E se soergo com as mãos
as tuas coxas
e acerto o corpo no calor
das vagas
logo me vergas
e és tu então
que tens os dedos
agora
em minha nádegas
por Maria Teresa Horta
fotografia de Ruslan Lobanov
sábado, 12 de novembro de 2011
Gozo VI

São de bronze
os palácios do teu sangue
de cristal absorto
ensimesmado
São de esperma
os rubis que tens no corpo
a crescerem-te no ventre
ao acaso
São de vento — são de vidro
são de vinho
os líquidos silêncios dos teus olhos
as rutilas esmeraldas que
sozinhas
ferem de verde aquilo que tu escolhes
São cintilantes grutas
que germinam
na obscura teia dos teus lábios
o hálito das mãos
a língua — as veias
São de cúpulas crisálidas
são de areia
São de brandas catedrais
que desnorteiam
(São de cúpulas crisálidas
são de areia)
na minha vulva
o gosto dos teus espasmos
por Maria Teresa Horta
fotografia de Garm
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Gozo V
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Gozo IV
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