57 anos, profissional liberal. Vivo no Porto. Adoro mulheres sensuais, apaixonadas, vibrantes... Acompanhante masculino. Simpático, discreto, culto, meigo e carinhoso. Desloco-me a domicílios, hotéis e motéis. Disponibilidade algo limitada, por motivos profissionais. Qualquer encontro deverá ser marcado com alguma (pequena) antecedência.
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
escrevo nu
está ela a me olhar de novo,
em sua janela, enquanto escrevo
a minha poesia suada.
tenho o bom/mau costume
de só escrever durante a madrugada,
e de só escrever nu.
ela fecha a cortina,
mas a luz atrás denuncia,
e lhe percebo a silhueta de pé,
completamente imóvel,
posso até sentir que ela respira fundo.
eu me levanto da mesa,
caminho a esmo pela sala e,
preguiçosamente,
paro diante da janela
e seguro o pau que inicia o despertar.
duro, deixo que ele aponte a janela,
e me masturbo para a silhueta que treme,
nos amamos de longe,
ela penetrada a distância,
termina por me surpreender:
pois, no instante em que goza,
e ela goza muito,
a vizinha escancara a cortina
e se mostra, inteiramente nua,
os seios, a bunda, a buceta a escorrer,
e eu gozo com ela, fartamente,
sobre a mesa, sobre a poesia,
como se fosse a cara dela a receber meu leite.
pela manhã, vejo-a sair, com o marido.
vai levar à escola os filhos,
e passa por mim na calçada,
onde trocamos um cordial bom dia.
por Guilherme Borges
fotografia de Stephanie
modelo: Evelyne V
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
o outro
era a esposa dele
desejada por outro homem.
ele viu e descobriu,
e da revelação
veio um ciúme que durou pouco,
pois seguido de um indisfarçável orgulho
da mulher que era linda,
e era gostosa,
e cobiçada pelos outros.
ele passou a exibi-la.
roupas curtas, transparências,
uma distância para dar segurança ao olhar alheio,
os pensamentos masculinos que ele conseguia ler,
a imagem desenhada na cabeça.
e ela, cúmplice do jogo, gostava
de ser o centro do desejo,
se permitia admirar e até incentivava
pernas cruzadas, frações da pele que escapava
no decote, na fenda.
amavam-se a construir histórias de alcova,
nos braços de outro ela profanada,
o pau de outro a lhe extrair os berros.
seria assim a vida deles,
se longe demais ela não fosse,
e no dia em que ele afinal a viu,
atrás dela, na cama deles,
o meu pau a arreganhar toda a intimidade
da esposinha outrora só dele,
veio-lhe no mesmo instante,
sem que conseguisse evitar,
o orgasmo mais intenso da sua vida.
por Guilherme Borges
fotografia de autor desconhecido
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