quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tua pele


É no sentir da tua pele,
que despertam os meus sentidos.
É no roce do meu corpo
contra o teu, que me arrepio.
É no teu sabor,
que te reconheço.

É na tua pele,
que sinto que estou viva.
É no tocar-te, no sentir-te,
em cada beijo, em cada gota,
em cada suspiro, em cada gemido...
que te sinto MEU!

É no sentir a tua pele em mim,
as tuas mãos pelo meu corpo,
quando me banhas em ti,
quando bebes de mim,
quando te suplico,
quando morro...
que me sinto TUA!

por Afrika
fotografia de Aleksandr Kolpakov

Este poema foi-me enviado pela autora. Veja o seu blogue
Afrika Bluesky

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A sós no escuro

Hoje não vos ofereço um poema. Este post é mais íntimo, talvez um pouco cru, visceral. Há duas semanas atrás, Jade colocou no seu blogue o texto A Sós (Ela), e pediu-me que lhe descrevesse como faria um homem. Apreciei o seu pedido, mas acabei por não ter muito tempo disponível. Entretanto Jade publicou o seu A Sós (Ele). Adorei a história, excitou-me a possibilidade de ser observado. É incrível como as palavras despertam a nossa imaginação, como construimos uma imagem do outro, que só conhecemos através dessas mesmas palavras. Assim, ontem à noite escrevi este texto que aqui vos deixo, e que espero que te agrade Jade.



No escuro
Imagino-te deitada, nua,
Aqui na minha cama, a meu lado.

Enquanto me toco,
Enquanto seguro meu sexo entre minhas duas mãos,
Enquanto me acaricio,
Num vaivém contínuo e lento.

Aos poucos vai ficando duro,
Pulsante e quente.
Cubro-o de saliva, massajo-o.
Gemo num sussurro.
mmm...

Estremeço.
No luar que invade o quarto
Pressinto a tua presença.
Sinto, mais do que ouço, a tua respiração.

Sei que estás aí.
Excita-me saber que me observas.
Que és cúmplice do meu prazer.
Entre minhas mãos
Meu falo responde palpitante.

Acelero os movimentos,
Arqueando um pouco as ancas.
Ahh!!! Como está grande!
Quero que o vejas,
Assim, erecto, possante!

Está húmido.
Uma gota transparente escorre da glande.
Está brilhante.
Imagino teus lábios formando um O,
Envolvendo meu pau, subindo e descendo.

Toco-o devagar.
Como se fosses tu.
Imagino a carícia de tua língua.
Lambendo-o,
Provocando-me.

Um arrepio de prazer invade-me.
Páro e aperto-o entre as minhas mãos.
Está já todo molhado, viscoso,
Como se me viesse aos poucos,
Num contínuo prazer.

Pressinto a tua respiração,
Tão ofegante como a minha.
Imagino onde terás teus dedos.
Fecho os olhos.
Gemo alto!

Não aguento mais.
Sinto teus olhos cravados nas minhas mãos,
No meu sexo.
Com as duas mãos inicio um movimento rápido,
Imparável, quase violento!

Para cima e para baixo!
Mais depressa!
Sinto como vibra, como pulsa!
Gemo, grito!
Dois, três jactos brancos escapam-se entre meus dedos entrelaçados.
Duas, três vezes sinto os espasmos que os acompanham.
Duas, três vezes sinto o teu olhar de espanto, de desejo!

Pedro M.
Fotografia de Anthony Boccaccio

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Se miran


Se miran, se presienten, se desean,
se acarician, se besan, se desnudan,
se respiran, se acuestan, se olfatean,
se penetran, se chupan, se demudan,
se adormecen, se despiertan, se iluminan,
se codician, se palpan, se fascinan,
se mastican, se gustan, se babean,
se confunden, se acoplan, se disgregan,
se aletargan, fallecen, se reintegran,
se distienden, se enarcan, se menean,
se retuercen, se estiran, se caldean,
se estrangulan, se aprietan se estremecen,
se tantean, se juntan, desfallecen,
se repelen, se enervan, se apetecen,
se acometen, se enlazan, se entrechocan,
se agazapan, se apresan, se dislocan,
se perforan, se incrustan, se acribillan,
se remachan, se injertan, se atornillan,
se desmayan, reviven, resplandecen,
se contemplan, se inflaman, se enloquecen,
se derriten, se sueldan, se calcinan,
se desgarran, se muerden, se asesinan,
resucitan, se buscan, se refriegan,
se rehuyen, se evaden, y se entregan.

Por Oliverio Girondo
fotografia de Oleg Kosirev

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Fêmea


Formas curvas
Carne quente
Sedutora
Misteriosa mulher

Aconchegante
encontra cara a cara
o menino homem
Indefeso
Embriagado
Subjugado
pelos múltiplos lábios
da volúpia

Por Regina Bello
fotografia de Frank Bodenschatz

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Gosto


Gosto...
de te sentir no silêncio...
Escondo as palavras
no meu corpo...
Provocador... sedutor...
Inteiramente apaixonado...
E nos meus olhos lê o que
a alma tem para te revelar...
Não digas alto o que sabes...
Apenas mo faz viver....

Por Marta Vinhais
fotografia de Denis Saint Clair

Este poema foi-me enviado pela autora. Veja o seu blogue Com Amor

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Somente tua


Hoje, sou eu que te procuro...
Hoje, somente hoje, sou eu que preciso,
Sentir-te,
Sentir-te aqui junto a mim, em meu leito...
Tenho sede de ti
Faz-me desejar-te
Querer-te
Venerar-te...
Vem ao meu encontro
Consome-me e mata minha fome,
Sem questões de porquês,
Sem respostas com justificação.
Procuro-te
Preciso do teu colo,
Em jeito de menina,
Em prol do prazer de mulher.
Quero-te
Exijo de ti o que não procuras em mim.
Dá-me apenas, emoção...
Sem palavras!
Procuro gestos
Atitudes,
Apenas o som do teu corpo no meu...
Latejante, suado, cansado...
Hoje, sou eu que te procuro!

Por Attitude
fotografia de Demidov Sergey (Bezheviy)

Este poema foi-me enviado pela autora. Veja o seu blogue i love my attitude problem

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Tu


Ah, se tu estivesse aqui neste momento...
Deixaria teus braços enlaçarem meu corpo,
tua boca vir de encontro à minha,
teus olhos me guiarem.

Seria tua da maneira que quisesses,
da maneira que desejasses.

Porque só tu és capaz de fazer sonhar,
tua imagem me enfeitiça.
Sou capaz de ceder a todas as suas
vontades sem questioná-las,
porque perto de ti
não sou dona de mim,
sou simplesmente tua.

Por Tatiana V. Mattos
fotografia de Stanislav Blazhenkov