Hoje não vos ofereço um poema. Este
post é mais íntimo, talvez um pouco cru, visceral. Há duas semanas atrás,
Jade colocou no seu blogue o texto
A Sós (Ela), e pediu-me que lhe descrevesse como faria um homem. Apreciei o seu pedido, mas acabei por não ter muito tempo disponível. Entretanto Jade publicou o seu
A Sós (Ele). Adorei a história, excitou-me a possibilidade de ser observado. É incrível como as palavras despertam a nossa imaginação, como construimos uma imagem do outro, que só conhecemos através dessas mesmas palavras. Assim, ontem à noite escrevi este texto que aqui vos deixo, e que espero que te agrade Jade.

No escuro
Imagino-te deitada, nua,
Aqui na minha cama, a meu lado.
Enquanto me toco,
Enquanto seguro meu sexo entre minhas duas mãos,
Enquanto me acaricio,
Num vaivém contínuo e lento.
Aos poucos vai ficando duro,
Pulsante e quente.
Cubro-o de saliva, massajo-o.
Gemo num sussurro.
mmm...
Estremeço.
No luar que invade o quarto
Pressinto a tua presença.
Sinto, mais do que ouço, a tua respiração.
Sei que estás aí.
Excita-me saber que me observas.
Que és cúmplice do meu prazer.
Entre minhas mãos
Meu falo responde palpitante.
Acelero os movimentos,
Arqueando um pouco as ancas.
Ahh!!! Como está grande!
Quero que o vejas,
Assim, erecto, possante!
Está húmido.
Uma gota transparente escorre da glande.
Está brilhante.
Imagino teus lábios formando um O,
Envolvendo meu pau, subindo e descendo.
Toco-o devagar.
Como se fosses tu.
Imagino a carícia de tua língua.
Lambendo-o,
Provocando-me.
Um arrepio de prazer invade-me.
Páro e aperto-o entre as minhas mãos.
Está já todo molhado, viscoso,
Como se me viesse aos poucos,
Num contínuo prazer.
Pressinto a tua respiração,
Tão ofegante como a minha.
Imagino onde terás teus dedos.
Fecho os olhos.
Gemo alto!
Não aguento mais.
Sinto teus olhos cravados nas minhas mãos,
No meu sexo.
Com as duas mãos inicio um movimento rápido,
Imparável, quase violento!
Para cima e para baixo!
Mais depressa!
Sinto como vibra, como pulsa!
Gemo, grito!
Dois, três jactos brancos escapam-se entre meus dedos entrelaçados.
Duas, três vezes sinto os espasmos que os acompanham.
Duas, três vezes sinto o teu olhar de espanto, de desejo!
Pedro M.
Fotografia de Anthony Boccaccio