57 anos, profissional liberal. Vivo no Porto. Adoro mulheres sensuais, apaixonadas, vibrantes... Acompanhante masculino. Simpático, discreto, culto, meigo e carinhoso. Desloco-me a domicílios, hotéis e motéis. Disponibilidade algo limitada, por motivos profissionais. Qualquer encontro deverá ser marcado com alguma (pequena) antecedência.
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quinta-feira, 10 de maio de 2012
A casada infiel
(A Lydia Cabrera e à sua negrinha)
E eu que fui levá-la ao rio
Certo de que era donzela,
Mas bem que tinha marido.
Foi a noite de São Tiago
E quase por compromisso.
As lâmpadas se apagaram
E se acenderam os grilos.
Já nas últimas esquinas
Toquei seus peitos dormidos,
Que de pronto se me abriram
Como ramos de jacinto.
A goma de sua anágua
Vinha ranger-me no ouvido
Como seda que dez facas
Rasgassem em pedacinhos.
Sem luz de prata nas copas
As árvores têm crescido
E um horizonte de cães
Ladra bem longe do rio
Após franqueadas as brenhas,
Franqueados juncos e espinhos,
Por baixo de seus cabelos
Fiz um ninho sobre o limo.
Eu tirei minha gravata.
Ela tirou seu vestido.
Eu, cinturão e revolver.
Ela, seus quatro corpinhos.
Nem nardos nem caracóis
Têm cútis com tanto viço,
Nem os cristais sob a lua
Alumbram com igual brilho.
Sua coxas me escapavam
Como peixes surpreendidos,
Metade cheias de lume,
Metade cheias de frio.
Galopei naquela noite
Pelo melhor dos caminhos,
Montado em potra nácar
Sem rédeas e sem estribos.
As coisas que ela me disse,
Por ser homem não repito
Faz a luz do entendimento
Que eu seja assim comedido.
Suja de beijos e areia,
Eu levei-a então do rio.
Contra o vento se batiam
As baionetas dos lírios
Portei-me como quem sou.
Como gitano legítimo.
Dei-lhe cesta de costura,
Grande, de cetim palhiço,
E não quis enamorar-me,
Pois ela, tendo marido,
Me disse que era donzela
Quando eu a levava ao rio.
por Federico Garcia Lorca
fotografia de Simon Bolz
tradução de Afonso Felix de Sousa
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Conhecimento

Sei que tu sabes
desta febre que me devora e suga
deste ácido que brilha em pérolas de suor na minha pele.
A minha mão esculpe o teu corpo
e conhece-lhe recantos escondidos.
Há um aroma vibrante nesse teu cabelo
e uma força macia que se me enrola nos dedos.
Sei que tu sabes
quando os meus olhos se perdem loucos
no abismo dos teus.
Numa espiral magnética
as minhas pestanas dançam húmidas
desconcertantes coreografias pela tua face.
Sei que tu sabes
deste meu vício de ti
da ânsia do toque apaixonado
dessas mãos a que me submeto.
Em complicadas partituras
mescladas de trombetas e tambores
esta paixão é um cavalo alado
sem rédeas, sem freio, sem destino.
Descubro-te a vida numa lágrima
e a tua voz canta-me rumbas de desejo.
Não sabemos como partir
como quebrar o sonho e seguir.
Em cada dia há um mistério por guardar
e um punhal cá dentro a afundar-se.
Mas eu sei que tu sabes
que eu sou tão real quanto imaginária
e guardo em mim o mistério do amor.
por Margarida Piloto Garcia
fotografia de Boris Plahottya
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Inocência

Sei que não é amor,
mas embrulhas os sentidos em gestos coloridos.
O teu sorriso troça da tristeza,
arranca o meu entre a provocação e a a candura.
Fico na expectativa do teu toque...
da tua timidez,
da quase juvenil carícia
na mescla sensual de que a revestes.
Sei que não é amor
mas atreves-te a quebrar tabus,
quando me desejas
me provocas
me queres de uma maneira que é só tua.
Sei que não é amor.
Nem mesmo é paixão.
Mas a loucura partilhada dos sentidos,
existe no olhar trocado.
Sei que me perco nos beijos ora vorazes, ora subtis,
no abraço carente que me desnuda aos poucos.
Brincamos sem pudor
carentes desse amplexo desejado.
E embarcamos numa viagem feita de um desejo duro mas doce.
Nunca nos falta o riso
rolando como pérola.
Sei que não é amor
mas partilhas comigo um arco íris de emoções...
E o teu amplexo é forte e orvalhado de desejo.
Sôfrega é a satisfação linear,
sem perguntas, sem noites de espera,
sem algemas a roerem esfomeadas.
O corpo é um abrigo em que se esconde a alma.
Sei que não é amor
nem mesmo é paixão.
É talvez um não sei quê
que vai e vem
e deixa a vida intacta, virgem... à espera.
por Margarida Piloto Garcia
fotografia de Tsifrolyub
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