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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Vagina I


Teus lábios,
doce mel de frutas sazonais,
se oferecem livres
ao desfrutar dos beijos.

Tua boca molhada,
ostra aberta ao desejo,
saliva de todas delícias.
A flor de todas carícias
tuas pétalas
ficam expostas aos meus sentidos.

Abre-se,
jardim das virtudes,
fazendo-se carne
e despeja sobre mim
tua água farta.

O calor de teus ermos,
o vale de tua sombra,
transmite-me, dentro de ti,
a dádiva profana da terra onde
todos os frutos habitam
e se depositam
todas as sementes.

Sabe-se que tu, mulher,
antes de mais nada
tens a vagina preparada
para afirmar-te fêmea
a qualquer tempo.

Por CAlex Fagundes
fotografia de Ludovic Goubet

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Castigo


Desencaixo-me displicente.
Esvaziei-me, enfim.
Teu corpo
ainda queima,
tua mão ainda afaga.
Jamais
o prazer fora tão perverso.
Escondo meus lábios
atrás do batom.
Teus olhos
canibais marinhos
começam a se desfazer.
Não consigo te acompanhar.
És tão tolo...
Ainda me engasgo
com um último orgasmo.
Venci.
Sou aquela
que pela primeira vez
amas.
Mas a noite se esvai.
Sei que vais me tocar:
deixarei?
Não quero me amarrotar.
Tua boca me implora,
só que as estrelas se apagaram.
Vou-me embora
para nunca mais...
Se fosse amor,
não acabaria.

Por Agostina Akemi
fotografia de Ludovic Goubet

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Tudo


Quando eu bebo,
bebo tudo.
O licor desejado e aquele
que ainda couber...

Talvez ainda sobre espaço para beber
para anestesiar a ressaca de ontem.
Penetrar no recinto dos fantasmas
e participar dele.

Saber-se na vertigem
das perdições inconcebíveis.
Saber-se à boca da sarjeta
os restos de lua e luz
confusa, difusa
das percepções da noite.

Sim, a visita de Neptuno
com seus mares
com suas águas
onde tudo pode ser e nada é.

A ingestão do âmbar
o cheiro dos perfumes...

A náusea de saber-se
uma pequena tristeza
na multidão dos seres
na noite de todos os desesperos.


Quando eu como,
como tudo.
Como se buscasse saciar
a fome do mundo.

Como não fosse o amanhã
o construtor do prato feito.
Como se fosse necessário
criar a reserva para
as sete vacas do porvir.


Quando eu amo,
amo tudo.
Eu te quero,
e quero toda.

Quero beber e comer de ti
pois é essa a verdadeira sede
e fome a ser saciada.

Pois é esse o verdadeiro desejo
e não é só de prazer.
É a real necessidade de ter tudo
da mulher que amo.

E saber-se inteiramente contido
em cada gota de esperma,
saliva, sangue ou suor
por ti e por mim derramada
imolada, ofertada...
no perfeito acto de entrega.

Sem meias porções,
sem meias sensações
sem mascarar as ilusões
e sim esculpir na carne,
construir nas porosidades
de todos interstícios
a mistura de humores
o miscigenar de espíritos.

Assim, cada vez que eu te amar,
te amarei por inteiro
e você inteira.

E na explosão
meu gozo será com o teu
para dar todo impulso
e te encontrar.
flor escancarada,
pronta para germinar
e criar dentro de ti.

Quererei ser teu
dentro de ti. Vivo.
Vivo, carne, alma.
Ser.
Todo.
Teu.

por CAlex Fagundes
fotografia de Ludovic Goubet

segunda-feira, 3 de março de 2008

O beijo


Tua boca...
Sim... Tua boca...
O desejo tomou conta de mim
ao beijar tua boca.

Sim...
Os meus lábios ainda pressentem
o próximo toque dos teus.

Boca linda...
Lábios vermelhos...
Desejo trazer junto comigo
Sempre...
Esse sabor de mulher.

Encostei meus lábios nos teus,
As bocas se juntaram...
E se encontraram tão belas...
Tão ansiosas... tão ávidas...

Bebi ali todo o teu veneno...
Bebi ali todo o teu desejo...

Dali, tua pele, sensível ao toque,
se desvendou para minhas carícias...

Meus lábios tocaram a tua pele...
Lábios, peregrinos, visitaram seus refúgios...

Linda mulher...
Lindo desejo...
Deixei algo de mim no teu beijo
que não recupero jamais...

Entrei no teu quarto.

Sentada na cama de calcinha e camiseta,
cabelos soltos...
Beleza sem par...
A materialização da fêmea...
Linda como nunca... fêmea.
Tu falavas e eu...
embriagava-me de ti...
embebia-me de ti...
Prendia-me o olhar...
um ar de sedução...
Assim sob o abat-jour...
Beleza... fascínio… calor...

Soltei o pensamento...
— Te quero...
O desejo me integrou...
Recebi a tua mão no meu rosto
e a carícia me tocou por dentro.
Entreguei-me.
Deitaste sobre meu corpo...
Um beijo na minha boca...
Suave... mulher apaixonada...
Rendida à magia...
Te afastaste...
Um seio para fora,
colocado sobre meus lábios.
Lábios secos aveludados...
Percorrendo lentamente a auréola
Lábios macios...
Tocando a ponta dos mamilos.
Gemidos... murmúrios...
Arrepios...
Dentes sem força...
Ponta da língua...
Leve...

Corpo perfeito.
As minhas mãos percorrendo
a geografia da pele.
A topografia da carne.
A ponta dos dedos...
A palma das mãos,
em lenta progressão,
por caminhos indecifráveis.
Penugens...
dos braços...
das pernas...
das coxas...

Calor,
teu corpo esta quente.
Cheiro de fêmea...
fragrância...
Prazer.
Sabor.
Todos sentidos presentes
Delícias.

Deitei-me sobre ti.
Tuas coxas me tocam os flancos.
As bocas que se encontram,
línguas que se integram.
Sexos que se tocam,
águas que se misturam.
Braços que se enlaçam.
O beijo percorre teus dentes.
Meus dentes pressionam teus lábios.
Súbito um beijo de carinho
no meio do ardor.
Como para buscar a alma
neste mundo de presenças.

As mãos penetram nos cabelos,
sucessivos beijos nas faces,
nos olhos, nos lábios.
Confiança de ser minha.
Certeza de ser teu.
Palavras de carinho e amor.

Os lábios viajam pelo rosto,
enquanto pernas e braços se enlaçam.
Se acolhem, se apertam...
E então um beijo profundo
Um doce sabor...
Encontro de águas…
Sugo teu espírito para dentro de mim...
Entrego o meu para ti...
Os dois se integram num só
na junção dos plexos solares.
Não estamos mais ao nível da pele.

Tua boca exige minha boca.
Os ventres se movem em procura de encontro.
A pele se abre na mistura das carnes.
Músculos que se apertam.
Não existe mais
qualquer conceito de distância.

As línguas desejam lamber...
Os dentes desejam morder...
A boca deseja sugar...
O pescoço... Os ombros...
Os braços... O colo...
Mordendo e lambendo as axilas...
Abocanhando firme os teus seios.
Sugando pra dentro da boca
Extraindo deles o leite...
A língua, dentro, beijando.
Mordo, te machuco.
Você me arranha as costas...
Puxa os cabelos...
As pernas me apertam...
Diz que me quer...

Eu paro...
Beijos de carinho...
na ponta dos seios.
No colo, na boca.
Te quero... Te amo...

Retomo o fervor.
Alcanço teu sexo.
Te beijo com os meus lábios
os lábios da tua vulva.
A virilha... o ânus...
A língua... a saliva...
A ponta da língua...
A língua inteira...
Estremeces...
Imploras...

Encontro tua fonte...
e vou lá no fundo beber tua água...
muita água...
e trago pra dentro de mim...
saciando a sede de teu sabor.
Eu mordo... tudo.
A língua.
Chego no ponto certo.
A boca...
A língua...
Os dentes...
Tu gritas...

Inicias um frémito crescente...
Puxo teu corpo
para cima do meu.
Com os dedos afasto teus lábios
e entro em ti até o fundo.
Tu me engoles…
Me comes...
O ritmo cresce...

Um grito da alma...
No fundo... paramos.
As bocas se igualam...
Te encho de leite.
Lágrimas... soluços...
Abraço apertado...
Carinho...
— Te amo. Relaxas...
Adormeces em cima de mim.

por CAlex Fagundes
fotografia de Ludovic Goubet

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Intimidad


La noche vuelve secreta
a tantear mi cuerpo,
me penetra lenta y suave
me abro
como una flor nocturna.

por Orietta Lozano
fotografia de Ludovic Goubet

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Cio


Entre as pernas te prendo
serpente e presa em duelo

Instintivos golpes
em obscena estratégia
– despudorada arma

Vitoriosa
bebo em teu cálice
o sémen

... chove sobre o cio.

por Gloria Sartore
fotografia de Ludovic Goubet

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Acto


Nossos corpos se abraçam,
as mãos se entrelaçam.
Nos olhos o desejo,
nas bocas que se unem
a ânsia dos beijos.
A respiração se entrecorta.
Minhas mãos acariciam seu corpo,
que responde ao meu
em busca da posse.

Meus seios, nas suas mãos,
duas taças que transbordam
o vinho do prazer.
Suas mãos, as minhas..
caminham entre nossas pernas,
buscando passagens secretas.

A fenda que humedece, se abre,
recebe o falo erecto
que penetra, mete, arremete,
se inunda de louco prazer...

Minha voz num sussurro,
tenta eliminar seu cansaço...
Sua fronte no meu colo pousa,
serena, em descanso...
Minhas mãos,
Qual plumas,
passeiam ávidas pelo teu corpo...

Minha boca te acaricia
e no mais profundo
do teu ser... Vem amparar teu gozo.

Sempre e mais, nos debatemos
nesse desejo louco,
que cresce, entumece, alaga e
despe nossas almas
e nos faz feliz, por ora...
Com tão pouco!

por Asta Vonzodas
fotografia de Ludovic Goubet