57 anos, profissional liberal. Vivo no Porto. Adoro mulheres sensuais, apaixonadas, vibrantes... Acompanhante masculino. Simpático, discreto, culto, meigo e carinhoso. Desloco-me a domicílios, hotéis e motéis. Disponibilidade algo limitada, por motivos profissionais. Qualquer encontro deverá ser marcado com alguma (pequena) antecedência.
sexta-feira, 4 de junho de 2021
A minha boca
a minha boca
tem tanta fome da tua
a minha língua
tem tanta sede da tua
a minha boca
tem tanta tesão dos teus
os meus dedos nervosos
percorrem o meu sexo
verticalidade lúbrica, orgânica
outra e outra vez
perfilado, aprumado, em vão
de tanto ansiar pelo teu próprio vão
elísio onde a minha volúpia se espraia
doidos os meus dedos de não poderem
desfiar o teu cabelo
de eu não o poder cheirar
como quando encho o peito e os pulmões
do teu perfume e só isso me acalma
de não poderem circundar a seda
dos teus seios-frutos de abocanhar
a minha sede novamente
os meus dedos nutam pela tua pele
escorregam pela duna da tua barriga morna
como quem atravessa um deserto
os meus beijos tontos de tanto procurar de beber
os meus dedos perdidos por aí abaixo
loucos de quererem novamente
aflorar os teus lábios
encharcados com cio
a minha sede outra vez, porra
os meus dedos extraviados
quando não te têm
anelam de não te poder anelar
ávidos de tanto te quererem
de tanto quererem entrar em ti invasores
como magotes de guerreiros sôfregos
irrompendo pelas tuas meias ameias muralha
que se abatem de repente
e toda tu te entregas numa batalha
que se vence apenas derribando
os nossos próprios bastiões e baluartes
penetro enfim o paço de dedos bacamartes
procurando-te por dentro
acordando o teu sentir, o teu pulsar
despoletando o teu arfar, o teu prazer
e o meu prazer de te dar prazer
os meus dedos gostam
que todo o teu corpo exulte de deleite
arqueado e convulso
os meus dedos e as minhas mãos
ufanam quando te agarram e pegam em ti
jactantes de sentir os teus sismos internos
jorrarem em espasmos, gemidos e gritos
e réplicas repetidas
os meus dedos adoram que não te retenhas
os meus dedos querem que te venhas
e explodas de gozo e mil orgasmos
e que todos os teus tsunamis se derramem
na minha boca e na minha garganta rouca
como um rio furioso no seu desfiladeiro
até se desfazer na sua foz
naturalmente
o meu sexo turgescente, latejante
alucinado, erguido, rijo, em riste, vibrante
quando procura os teus lábios e a tua boca
e tu finalmente a agarrá-lo
com firmeza e convicta
de que sabes exactamente
o que fazes e o que queres
fechas sobre ele a tua mão pequenina
acaricia-lo, como se o despisses lentamente
e afunda-lo de um só trago
eu deixo ir e vir com vontade
com força, sem clemência
tu suplicas indulgência
qual remissão dos pecados, meu amor?
eu acalmo-me, tento, não consigo
inchado cheio impetuoso
de precisar de me devorares com doçura
de te sentir de língua molhada em mim
novamente e mais uma vez e sempre
estoura o meu plectro e o meu estro
como a minha seiva em ti
sexus plexus nexus
e finalmente fodemos
que nem danados
como se não houvesse
hoje nem amanhã
nem a serpente nem a maçã
e só descansamos no estuário
onde as nossas águas e lumes
se juntam já mansos e quiescentes
serenando rutilantes de luz
para além do amor e do querer
para lá do desejo e da vontade
algures no fim do prazer
como se o prazer
pudesse ter um outro fim
que não fosse o próprio prazer.
por José Luís Correia
fotografia de autor desconhecido
sexta-feira, 21 de maio de 2021
A outra porta do prazer
A outra porta do prazer,
porta a que se bate suavemente,
seu convite é um prazer ferido a fogo
e, com isso, muito mais prazer.
Amor não é completo se não sabe
coisas que só amor pode inventar.
Procura o estreito átrio do cubículo
aonde não chega a luz, e chega o ardor
de insofrida, mordente
fome de conhecimento pelo gozo.
por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de autor desconhecido
fotografia de autor desconhecido
terça-feira, 4 de maio de 2021
São flores ou são nalgas?
São flores ou são nalgas
estas flores
de lascivo arabesco?
São nalgas ou são flores
estas nalgas
de vegetal doçura e macieza?
por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de autor desconhecido
estas flores
de lascivo arabesco?
São nalgas ou são flores
estas nalgas
de vegetal doçura e macieza?
por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de autor desconhecido
quarta-feira, 21 de abril de 2021
A língua lambe
A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de autor desconhecido
por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de autor desconhecido
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le plus vieux tango du monde
Celui que les têtes blondes
Ânonnent comme une ronde
En apprenant leur latin
C'est le tango du collège
Qui prend les rêves au piège
Et dont il est sacrilège
De ne pas sortir malin
C'est le tango des bons pères
Qui surveillent l'œil sévère
Les Jules et les Prosper
Qui seront la France de demain
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango des forts en thème
Boutonneux jusqu'à l'extrême
Et qui recouvrent de laine
Leur cœur qui est déjà froid
C'est le tango des forts en rien
Qui déclinent de chagrin
Et qui seront pharmaciens
Parce que papa ne l'était pas
C'est le temps où j'étais dernier
Car ce tango rosa rosae
J'inclinais à lui préférer
Déjà ma cousine Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango des promenades
Deux par seul sous les arcades
Cernés de corbeaux et d'alcades
Qui nous protégeaient des pourquoi
C'est le tango de la pluie sur la cour
Le miroir d'une flaque sans amour
Qui m'a fait comprendre un beau jour
Que je ne serais pas Vasco de Gama
Mais c'est le tango du temps béni
Où pour un baiser trop petit
Dans la clairière d'un jeudi
A rosi cousine Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango du temps des zéros
J'en avais tant des minces des gros
Que j'en faisais des tunnels pour Charlot
Des auréoles pour saint François
C'est le tango des récompenses
Qui vont à ceux qui ont la chance
D'apprendre dès leur enfance
Tout ce qui ne leur servira pas
Mais c'est le tango que l'on regrette
Une fois que le temps s'achète
Et que l'on s'aperçoit tout bête
Qu'il y a des épines aux Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
par Jacques Brel
photographie de David Hamilton
modèle: Anja Schute
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le plus vieux tango du monde
Celui que les têtes blondes
Ânonnent comme une ronde
En apprenant leur latin
C'est le tango du collège
Qui prend les rêves au piège
Et dont il est sacrilège
De ne pas sortir malin
C'est le tango des bons pères
Qui surveillent l'œil sévère
Les Jules et les Prosper
Qui seront la France de demain
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango des forts en thème
Boutonneux jusqu'à l'extrême
Et qui recouvrent de laine
Leur cœur qui est déjà froid
C'est le tango des forts en rien
Qui déclinent de chagrin
Et qui seront pharmaciens
Parce que papa ne l'était pas
C'est le temps où j'étais dernier
Car ce tango rosa rosae
J'inclinais à lui préférer
Déjà ma cousine Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango des promenades
Deux par seul sous les arcades
Cernés de corbeaux et d'alcades
Qui nous protégeaient des pourquoi
C'est le tango de la pluie sur la cour
Le miroir d'une flaque sans amour
Qui m'a fait comprendre un beau jour
Que je ne serais pas Vasco de Gama
Mais c'est le tango du temps béni
Où pour un baiser trop petit
Dans la clairière d'un jeudi
A rosi cousine Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango du temps des zéros
J'en avais tant des minces des gros
Que j'en faisais des tunnels pour Charlot
Des auréoles pour saint François
C'est le tango des récompenses
Qui vont à ceux qui ont la chance
D'apprendre dès leur enfance
Tout ce qui ne leur servira pas
Mais c'est le tango que l'on regrette
Une fois que le temps s'achète
Et que l'on s'aperçoit tout bête
Qu'il y a des épines aux Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
par Jacques Brel
photographie de David Hamilton
modèle: Anja Schute
domingo, 10 de janeiro de 2021
Bundamel bundalis
bundacor bundamor
Bundamel bundalis bundacor bundamor
bundalei bundalor bundanil bundapão
bunda de mil versões, pluribunda unibunda
bunda em flor, bunda em al
bunda lunar e sol
bundarrabil
Bunda maga e plural, bunda além do irreal
arquibunda selada em pauta de hermetismo
opalescente bun
incandescente bun
meigo favo escondido em tufos tenebrosos
a que não chega o enxofre da lascívia
e onde
a global palidez de zonas hiperbóreas
concentra a música incessante
do girabundo cósmico.
Bundaril bundilim bunda mais do que bunda
bunda mutante/renovante
que ao número acrescenta uma nova harmonia.
Vai seguindo e cantando e envolvendo de espasmo
o arco de triunfo, a ponte de suspiros
a torre de suicídio, a morte do Arpoador
bunditálix, bundífoda
bundamor bundamor bundamor bundamor.
por Carlos Drummond de Andrade
fotografia de Simon Bolz
modelo: Sazze
quinta-feira, 24 de dezembro de 2020
Votos de Feliz Natal!
Para todas as minhas leitoras, com o meu desejo de que tenham um Feliz Natal!!
Um beijo
Pedro M.
A Hand For Santa
On Christmas Eve
Don’t lay awake in bed
All you naughty girls
Blonde, brunette or red
For instead of presents
You may get a shock instead
You may catch Santa
Dressed in his suit of red
Emptying his sack
At the end of your bed
por Paul Curtis
fotografia de autor desconhecido
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