segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Beije meus lábios


Com a minúcia de um ritual, beije meus pés
Depois massageie-os
Beije meus joelhos, os dois
Beije minhas coxas interna e externamente

Pule para meu umbigo
Passe a língua ao seu redor suavemente
Não deixe muita saliva
Use seus sentidos – todos
Sinta o odor que cada parte do meu corpo exala

Me vire bruscamente, mas com cuidado
Resvale seu nariz no córrego das minhas costas
Deslize as pontas dos dedos em minhas costelas
Me deixe com bolinhas por todo o corpo

Olhe, cheire, deguste, ouça meus seios
Depois beije um por um que é para não rolar ciúmes
Muita atenção ao pescoço
Ele tem o poder de arrepiar todos os meus pelos

Beije meu queixo, bochechas e suas covas
Minhas olheiras tão marcadas por te esperar
Meus olhos acostumados de te ver no pensamento
Minha testa como um pedido respeitoso
Para que eu abra minhas portas

Encha suas mãos com os meus cabelos
Memorize o nível de sua maciez
Embriague-se com o seu cheiro

Só então, depois de percorrer meus mundos
Beije meus lábios: o primeiro e os segundos...

por Anne Lucy
fotografia de autor desconhecido

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Gemido


Pernas abertas,
pensamento fechado.
Dois dedos de sol,
um verso de lado e,
num susto, sum sustenido é dedilhado.

por Saulo Pessato
fotografia de autor desconhecido

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Os segredos de Raimunda Toada

Desnudou-se toda a realidade,
Posso vê-la desnuda flor,
Tão intensa a flor do amor.
Digo-te isso sem maldade.

Minha paixão feminina.
Dos prazeres é sacerdotisa,
Toca em mim feito brisa.
Me banha tal água cristalina.

Ó sublime paz que me devora,
Ao vê-la cavalgando corcunda.
Beleza em seu corpo mora.
Mas prefiro, sincero sua bunda.
Por isso Raimunda Toada.
Empina, mostra a bundinha danada.

por Rodrigo de Souza Leão
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Posso fazer algo por ti?

A janela abre-se sobre a rua
e antes da nudez consumada
já me vês nua.

Posso fazer algo por ti?

Pisa-me que eu deixo
que faças as tuas marcas.
É uma batalha perdida.
Tenho a mão na faca.

Posso fazer algo por ti?

A carne dissolvida
na saliva.
Não o calo
e não dorme o falo.
Selo de joelhos a intimidade.

Posso fazer algo por ti?

Respiro para que não doa.
Onde acaba a roupa e
começa a pele,
para pontos mais altos
e buracos mortíferos,
algo nos impele.

Posso fazer algo por ti?

Receio como tu
o mutismo.
Não quero agarrar estrelas cadentes.
Não tenho esse desejo.

Posso fazer algo por ti?

A poesia não tem grades
mas doem-me as costas.

Mas, posso fazer algo por ti?

por Ana Pereira
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Cucharadas


El encanto
de las chocolatinas y las fresas,
como un cuerpo desnudo
con pedacitos de almendra
y unas gotas de miel.

Unos labios de trufa
y natillas calientes
con un poco de helado
y un bizcocho borracho.

La pasión del azúcar quemada
sobre la crema fría
en los postres helados.

El jadeo
de las moras silvestres,
de las claras a punto de nieve
flameadas al horno.

Un hechizo perverso
para las bocas,
para los paladares insomnes
que después de amar
todavía tienen hambre.

por Ana Merino
fotografía de Ekaterina Zarkhova

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

The library

Up the stairs he follows
scanning the countless aisles
third from the back she disappears

Approaching she sees him, a slight glance, a sly smile

Up against the wall..., he presses her
softly
gently
lovingly
Her hands on his shoulders
his mouth meets hers
his hands rest..., on her hips

As he looks, into her eyes
a hand up her dress, in her panties...
Fingers now buried in her cunt

A faint moan, a finger on his mouth, shhhhhh

"keep your hands on my shoulders" he whispers

Moist and dripping with desire his fingers massage
they let her know, the passion, he brings

Quiets her with his mouth, her eyes close,

a slight quiver... as she cums

browsing the books they glance, and without a word she smiles

The sign as they exit reads:

'Please refrain from making a noise as this is a library'


by Stanhoven
photography by Igor Tertyshny

domingo, 7 de outubro de 2018

Desejos


Senhora buscai em meu corpo teu desejo louco,
sou homem não sou santo a ti abro meu manto
e se beberes na bruma da manhã desse prazer que não é pouco,
deitarei meu corpo em teu leito te causando espanto.

Em desalento, mesmo distante do legado em jeito,
faça de meu corpo tua moradia como febre em estadia,
lânguida, em minha pele com teus delírios me deito
e de belo agrado te aninho em meu pulsante peito.

Sou teu pecado não sejas mulher ternura,
na cama tuas vontades recebo como tua melhor criatura
e pecai...muito, por prazer não perdes a candura.

Faça da carne a música como escultura bêbada
e do poema um rio solto em direção ao revolto mar,
solte o leme da escuna, naufrague nas ondas desse lindo namorar.

por Douglas Mondo
fotografia de Stanislav Blagenkov