segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Cuando, después de amarnos



Cuando, después de amarnos, te coges el cabello
desordenado, ¡cómo son de hermosos tus brazos!
cual en un libro abierto, surge la letra negra
de tus axilas, fina, dulce sobre lo blanco.

Y en el gesto violento, se te abren los pechos,
y los pezones, tantas veces acariciados,
parecen, desde lejos, más oscuros, más grandes...
el sexo se te esconde, más pequeño y más blando...

¡Oh, qué desdoblamiento de cosas!
Luego, el traje lo torna todo al paisaje cotidiano,
como una madriguera en donde se ocultaran,
lo mismo que culebras, pechos, muslos y brazos.


por Juan Ramón Jiménez
fotografia de Simon Bolz
modelo: Ariel

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Os amantes



A hora era sempre a mesma, os dias, bem os dias eram todos, excepto quando um sms nervoso desmarcava. E nunca perguntávamos porquê... simplesmente aceitávamos prolongar a espera até ao dia seguinte.
Estacionávamos perto, mas nunca demasiado perto. Dava-nos um prazer enorme caminhar aquelas últimas centenas de metros de mãos dadas. Sentia a tua mão na minha e o teu cheiro que se desprendia ao vento. Olhava para ti e despia-te com os olhos... sabias que eu o fazia e provocavas-me caminhando aos saltinhos e fazendo a saia revelar mais do que era suposto.
Há quanto tempo tínhamos aquele apartamento? Perdi facilmente a conta aos meses. Raramente ali dormíamos... pelo menos os dois juntos. Lembro-me de ali ficar uma noite em que regressei mais cedo ao Porto para estar contigo. Lembro-me de ali teres ficado uma noite e de pela manhã eu te ter ido buscar e levar à estação para apanhares o comboio para Lisboa, onde era suposto estares desde a noite anterior.
Sim, lembro-me do teu cheiro... lembro-me de ter começado a usar o mesmo sabonete para que cheirássemos ao mesmo.


fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Aula de amor


Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.

Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.

Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.

por Bertolt Brecht
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Chhhh...


Fechas os teus olhos com os meus e congela este instante
repete-me ao ouvido promessas trémulas sem sentido
E percorre-me o doravante na palma dos suspiros
Seremos o mel desfeito em corpos, sexos e gemidos
A alma de todos os orgasmos
E no fim do prazer não digas uma palavra, não faças um gesto
Nem sequer faças sentido
Deixa o silêncio dos sorrisos
parar o tempo sobre os nossos ombros

por Cátia Penalva
fotografia de autor desconhecido

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Eroticism in pregnancy



Strangely in pregnancy
I feel more
beautiful and sensual
The sex keeps
me alive and
it is a
pleasure that I
like to take
advantage of every
hour of the
day or night

The simple touch
of my server
on my body
gives me an
unsuitable urge of
sex and turn
my big belly
adopting various positions
It seems that
everything has to
do with eroticism
is fundamental and
very particular pregnancy

I really feel
attractive and seductive
in this state
much wanting to
do more sex
At the slightest
touch I tremble
of pleasure

I like to
take on new
positions as the
pregnancy progresses
I really like
to be weighed
down by this
wonderful pregnancy
I'm definitely delirious
imagine this sensational
pregnancy

This imaginary pregnancy
is very spacious
and illogical
I'm comfortable being
pregnant

I search constantly
the eroticism in
pregnancy because with
it I feel
better

by Laura Arwen
photography by unknown author

sábado, 18 de janeiro de 2020

Cosmocópula

I
Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras.

II
O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso de água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te
as coxas e deixo-te
crescer
Duro e cheiroso como o aloendro.

por Natália Correia
fotografia de autor desconhecido

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Desnuda



Amo tu desnudez
porque desnuda me bebes con los poros,
como hace el agua
cuando entre sus paredes me sumerjo.

Tu desnudez derriba con su calor los límites,
me abre todas las puertas para que te adivine,
me toma de la mano como a un niño perdido
que en ti dejara quieta su edad y sus preguntas.

Tu piel dulce y salobre que respiro y que sorbo
pasa a ser mi universo, el credo que se nutre;
la aromática lámpara que alzo estando ciego
cuando junto a la sombras los deseos me ladran.
Cuando te me desnudas con los ojos cerrados
cabes en una copa vecina de mi lengua,
cabes entre mis manos como el pan necesario,
cabes bajo mi cuerpo más cabal que su sombra.

El día en que te mueras te enterraré desnuda
para que limpio sea tu reparto en la tierra,
para poder besarte la piel en los caminos,
trenzarte en cada río los cabellos dispersos.

El día en que te mueras te enterraré desnuda,
como cuando naciste de nuevo entre mis piernas.

por Roque Dalton
fotografia de Stefan Rappo
modelo: Marisa