sábado, 12 de fevereiro de 2022

Desejo ardente


Ah mulher menina
Que me fascina!
Ah que vontade de roubar-te
Um beijo
Chega despertar
Em mim um desejo!

Desejo de te amar!
Sentir o gosto da tua boca,
Gosto de mel...
Gosto do céu!
Amar-te assim, com todo fervor,
Com todo amor! Delicada flor!

Amar-te por todo o tempo,
Com todo meu sentimento
Em todas as estações,
Aflorando em meu pensamento
Minhas inspirações, meus intentos
Minha paixão!

Sinceramente, é o que desejo!
Simplesmente um delicioso beijo!
Amar-te ardentemente!
Eternamente!

por Elias Akhenaton
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

L’épouseur de famille


L’épouseur de famille
Fuit la fille
Qui n’a pour dot qu’un cu
Sans écu.
Aussi, quoique jolie,
Azélie
Se trouve vierge encor
Faute d’or.
Le désir la picote
Sous sa cotte,
Et souvent elle doit
Mettre un doigt
Qui longtemps y repose
Sur sa rose.
Le dard raide et fumant
D’un amant
Ferait mieux son affaire,
Mais que faire
Quand on est seule au lit
Et qu’on lit
Un roman érotique
Spermatique,
Qui fait rentrer le bras
Sous les draps ?
La main partout lutine,
Libertine,
Agace le bouton
Du téton
Qui, sentant la caresse
Se redresse,
Passe au ventre poli
Sans un pli,
Tâte les fesses, rondes
Mappemondes,
Entr’ouvre les poils longs,
Bruns ou blonds
Et glisse triomphante
Dans la fente
Où, sous le capuchon
Folichon,
Le clitoris s’abrite,
Rose ermite.
L’index frotte d’abord
Sur le bord
La coquille rosée
Arrosée
Du liquide élixir
Du désir ;
Cherche le point sensible
De la cible,
Et trouvant le ressort
Bandé fort,
Fait jaillir Aphrodite
Interdite
D’avoir joué ce tour
À l’amour.
D’autres fois, plus lubrique,
Elle applique
En long son traversin
Sur son sein ;
Dans ses cuisses l’enferme,
Fort et ferme,
L’étreint comme un amant
Puisamment,
Lève les reins et frotte
À sa motte
Le molasse phallus
Tant et plus.
Ce sac de plume d’oie
Qui se ploie,
Représente assez mal
L’idéal.
Pourtant la pose est digne
Du beau cygne
Qui, chez les Grecs, banda
Pour Léda.
Hélas ! Sur la mortelle
Aucune aile
Des cieux en frémissant
Ne descend.
Aucun dieu de l’Olympe
Ne la grimpe :
Les dieux, chauds autrefois,
Sont très froids.
La jouissance arrive,
Convulsive,
Tachant d’un jet subtil
Le courtil.
Dans la petite coupe
Une soupe,
Où manque le bouillon
De couillon,
Par Vénus attrapée
Est trempée ;
Et l’amour autre part
Met son dard !

Moralité

Ma fille, sois ardente,
Mais prudente,
Et sentant l’oreiller
Se plier
Tout au bas de ton ventre
Où rien n’entre
Ne va pas, pour jouir,
Enfouir
Dans ta fleur élargie
Ta bougie.
Bientôt le chandelier
Tout entier
Suivrait, sans la bobèche
Qui l’empêche.
Au fond du temple étroit
Que le doigt
Respecte la membrane
Diaphane,
Dont passera l’hymen
L’examen.


par Théophile Gautier in Poésies libertines
photographie de David Hamilton

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

escrevo nu


está ela a me olhar de novo,
em sua janela, enquanto escrevo
a minha poesia suada.
tenho o bom/mau costume
de só escrever durante a madrugada,
e de só escrever nu.
ela fecha a cortina,
mas a luz atrás denuncia,
e lhe percebo a silhueta de pé,
completamente imóvel,
posso até sentir que ela respira fundo.
eu me levanto da mesa,
caminho a esmo pela sala e,
preguiçosamente,
paro diante da janela
e seguro o pau que inicia o despertar.
duro, deixo que ele aponte a janela,
e me masturbo para a silhueta que treme,
nos amamos de longe,
ela penetrada a distância,
termina por me surpreender:
pois, no instante em que goza,
e ela goza muito,
a vizinha escancara a cortina
e se mostra, inteiramente nua,
os seios, a bunda, a buceta a escorrer,
e eu gozo com ela, fartamente,
sobre a mesa, sobre a poesia,
como se fosse a cara dela a receber meu leite.
pela manhã, vejo-a sair, com o marido.
vai levar à escola os filhos,
e passa por mim na calçada,
onde trocamos um cordial bom dia.

por Guilherme Borges
fotografia de Stephanie
modelo: Evelyne V

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

o outro


era a esposa dele
desejada por outro homem.
ele viu e descobriu,
e da revelação
veio um ciúme que durou pouco,
pois seguido de um indisfarçável orgulho
da mulher que era linda,
e era gostosa,
e cobiçada pelos outros.
ele passou a exibi-la.
roupas curtas, transparências,
uma distância para dar segurança ao olhar alheio,
os pensamentos masculinos que ele conseguia ler,
a imagem desenhada na cabeça.
e ela, cúmplice do jogo, gostava
de ser o centro do desejo,
se permitia admirar e até incentivava
pernas cruzadas, frações da pele que escapava
no decote, na fenda.
amavam-se a construir histórias de alcova,
nos braços de outro ela profanada,
o pau de outro a lhe extrair os berros.
seria assim a vida deles,
se longe demais ela não fosse,
e no dia em que ele afinal a viu,
atrás dela, na cama deles,
o meu pau a arreganhar toda a intimidade
da esposinha outrora só dele,
veio-lhe no mesmo instante,
sem que conseguisse evitar,
o orgasmo mais intenso da sua vida.

por Guilherme Borges
fotografia de autor desconhecido

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Ritual de amor


Anoiteceu
Todos se foram
Somos só eu e você
Em um universo só nosso
Ao deitar
Sinto sua respiração na minha face
Minhas mãos passeiam por seu corpo
Sua boca aproximando da minha
Com desejo
Com amor
Com carinho
Com calor
Sem palavras
Apenas gestos
Nada mais é necessário
Quando dois corpos se juntam
É instinto
Um compreende o outro
Descobrindo o que se promove nos demais instantes
As mãos se entrelaçam
Bocas respirando uma na outra
Exalando o que sentem
Transpirando desejos
Respirando tesão
Sussurrando gemidos
Até chegar no topo
O que era vivo
Morre por instantes
A mais erótica e intensa sensação
De amor, de tesão
Querem uma a outra
Por algo que vicia
E minutos depois
O ritual se inicia.

por Samara Deyse
fotografia de autor desconhecido
dedicada por uma leitora

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Ilha


Deitada és uma ilha. E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitada és uma ilha. Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

por David Mourão-Ferreira
fotografia de autor desconhecido
modelo: Karen Kounrouzan

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Le cul de ma voisine (Obsession bucolique)


J’aime à me promener, la nature est si belle,
Je m’extasie sans cesse à la vue sensuelle
Des maintes courbes osées, qui à ma vue dessinent,
Pour mon plus grand plaisir, celles de ma voisine.

La saignée du labour qui monte vers la crête,
Dans une ondulation lascivement parfaite,
M’impose la vision de la superbe échine,
Sur la chute de reins du dos de ma voisine.

Deux monticules au loin, qui barrent l’horizon
En regardant les cieux, tendus en oraison,
Dans une volupté de débauche divine,
C’est le galbe insolent des seins de ma voisine.

Le bosquet arrogant qui trône au creux d’un champ,
Les pieds dans la moiteur d’un ruisseau aguichant,
Dont le fluide fripon me grise et me fascine,
C’est le buisson ardent touffu de ma voisine.

Une brèche effrontée, que mes yeux accompagnent,
Coupe, en deux monts d’orgueil, une espiègle montagne ;
Triomphant et altier, tout là-haut il chemine,
L’impertinent sillon du cul de ma voisine.

Quand je rentre chez moi, encore nostalgique
Et l’esprit envahi de fantasmes érotiques,
Je trouve mon voisin en posture coquine
En train de besogner ma femme, sa voisine.


par Gérard Pinson
photographie de David Hamilton