sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Modo de amar ― V


Docemente amor
ainda docemente

o tacto é pouco
e curvo sob os lábios

e se um anel no corpo
é saliente
digamos que é da pedra
em que se rasga

Opala enorme
e morna
tão fremente

dália suposta
sob o calor da carne

lábios cedidos
de pétalas dormentes

Louca ametista
com odores de tarde

Avidamente amor
com desespero e calma

as mãos subindo
pela cintura dada
aos dedos puros
numa aridez de praia
que a curvam loucos até ao chão da sala

Ferozmente amor
com torpidez e raiva

as ancas descendo como cabras
tão estreitas e duras
que desarmam
a tepidez das minhas
que se abrem

E logo os ombros
descaem
e os cabelos

desfalecem as coxas que retomam
das tuas
o pecado
e o vencê-lo
em cada movimento em que se domam

Suavemente amor
agora velozmente

os rins suspensos
os pulsos
e as espáduas

o ventre erecto
enquanto vai crescendo
planta viva entre as minhas nádegas

por Maria Teresa Horta
fotografia de Dahmne

5 comentários:

♀ Venus disse...

Tu prometeste, tu cumpriste.
Amei o post todo, do poema a foto.
Muito quente, muito sugestivo.
AMEI!

Beiju

Pedro M disse...

mmm Vénus...

deixei-me levar pelas palavras...
deixei-me levar pelas imagens...

imaginei minhas "mãos subindo"
imaginei tua "cintura dada"
imaginei teus "dedos puros"
em minha pele
imaginei-nos curvados "loucos até ao chão da sala"!

Um beijo

Ana disse...

Todo o corpo desfalece apenas com o teu simples sorriso malandro!
O teu olhar que desperta em mim um desejo infinito... uma vontade de deixar vaguear a minha imaginação... até onde ela me levar... nem chuva, nem vento, serão capazes de a barrar!
Um beijo ardente Pedro M.

Pedro M disse...

Ohh Ana...

Deixa-me entrar em teus sonhos, tomar teu corpo em minhas mãos, tocá-lo, moldá-lo, arrebatá-lo.
Faz com que minha imaginação vagueie, embriaga-me com teu sabor a chuva, a vento, a mar...

Um beijo

Ana disse...

O mundo dos meus sonhos está aberto ao teu. Toma meu corpo e toca-o, desvenda-o como uma criança à procura do seu presente.
Deixa que eu te leve onde as ondas me deixarem levar-te, onde a maré ancorar os nosso corpos molhados.
Um beijo