terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Nas ervas


Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso
descer aos flancos, enterrar

os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta

aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão.

porque é terrivel
subir assim às hastes da loucura,
do fogo descer à neve.

abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho -
a glande leve.

por Eugénio de Andrade
fotografia de Arealdream

8 comentários:

Gabrielle disse...

A genialidade de Eugénio de Andrade aliada à magnificidade duma sexualidade sem pudor.
Não conhecia esta vertente do autor, obrigada por a partilhares.

bjs

Desnuda disse...

Meus sinceros votos de um feliz e renovador natal para você e seus familiares e que todas as suas esperanças se concretizem em 2009, .............!


BeijoHOHOHOHOHO!

Gabrielle disse...

Pedro,
de desafio em desafio... lembrei-me de te convidar para outro!
As regras dizem que o deves levantar lá no meu cantinho...(como tens uma ligação lenta, eu ofereço-te já a desculpa perfeita para o rejeitares)

continuação de bom fim de semana, mantém-te quente...
beijinho

Pedro M disse...

mmm Gabrielle, o pudor é uma prisão, a genialidade não admite grilhetas!

Um beijo

Pedro

P.S.: irei responder ao teu desafio. É só uma questão de tempo, que neste Natal parece que escasseia!

Pedro M disse...

Ohhh Sam,

Obrigado pelos votos de Boas Festas, que agradeço e retribuo!!!

Beijos!!!

Ana disse...

Vem e derrete meu gelo, percorre as águas que partilhamos.
Destroi a pedra fria e aquece-a com o calor do teu corpo.
Beijos Pedro M.

Pedro M disse...

mmm Ana...

adoraria derreter o teu gelo,
afundar-me no calor húmido de teu ventre.

Beijos

Pedro M disse...

mmm Ana...

adoraria derreter o teu gelo,
afundar-me no calor húmido de teu ventre.

Beijos