terça-feira, 26 de maio de 2009

Modo de amar ― XIV


As rosas nos joelhos

São grinaldas de rosas
à roda
dos joelhos

O âmbar dos teus dentes
nos sentidos

O templo da boca
no côncavo do espelho
onde o meu corpo espia
os teus gemidos

É o gomo depois...
e em seguida a polpa...

o penetrar do dedo...
O punho do punhal

que na carne enterras
docemente
como quem adormenta
o que é fatal

É a urze debaixo
e o fogo que acalenta
o peixe
que desliza no umbigo

piscina funda
na boca mais sedenta bordada a cuspo
na pele do umbigo

E se desdigo a febre
dos teus olhos
logo me entrego à febre
do teu ventre

que vai vencendo
as rosas ― os escolhos
à roda dos joelhos, docemente.

por Maria Teresa Horta
fotografia de Bernard Edimo

2 comentários:

Marta disse...

E nada apagará esse fogo, que te continuará a falar no meu post....
Boa foto como sempre...
Beijos e abraços
Marta

Pedro M disse...

Ohhh minha querida Marta,

mas alguém deseja apagar esse fogo?

Um beijo