sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Modo de amar ― X


A praia da memória
a sulcos feita
a partir da cintura:

a boca
os ombros

na tua mansa língua que caminha
a abrir-me devagar
a pouco e pouco

Globo onde a sede
se eterniza
Piscina onde o tempo se desmancha
a anca repousada
que inclinas
as pernas retezadas que levantas

E logo
são os dentes que limitam

mas logo
estão os labios que adormentam
no quente retomar de uma saliva
que me penetra em vácuo
até ao ventre

o vínculo do vento
a vastidão do tempo

o vício dos dedos
no cabelo

E o rigor dos corpos
que já esquece
na mais lenta maneira de vencê-los

por Maria Teresa Horta
fotografia de Santillo

4 comentários:

cassamia disse...

tão quente... tão voluptuoso... maravilhoso...

Pedro M disse...

mmm minha querida Cassamia...

as palavras despertam-nos para o prazer dos sentidos...

Um beijo

Ana disse...

Perfeito o poema, perfeito o enquadramento da foto.
Estou sem palavras. Sinto o poema como meu.
Um beijo meu Pedro M
Ana

Pedro M disse...

mmm minha querida Ana...

o poema recordou-me a volúpia de sabores :-)

Um beijo