quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Menina, mulher amante


Menina, mulher amante,
com seus olhos brilhantes,
quero ter você por um instante,
e beber teu prazer constante...

Beijar o teu corpo gostoso,
lamber seu pescoço,
e ser grudento aos poucos...

Se te quero tanto assim,
nesta ilusão tão ruim,
é porque para mim,
és um castigo sem fim...

Na minha serra querida,
tu és a minha guia,
te quero nua de dia,
nem que seja por fantasia...

por Adolfo Capella
fotografia de autor desconhecido

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A bailarina vermelha


Ela passa,
a papoila rubra,
esvoaçando graça,
a sorrir...
Original tentação
de estranho sabor:
a sua boca - romã luzente,
a refulgir!...

As mãos pálidas, esguias,
dolorosas soluçando,
vão recortando
em ritmos de beleza
gestos de ave endoidecida...
Preces, blasfémias,
cálidas estesias
passam delirando!...

Mordendo-lhe o seio
túrgido e perfurante,
delira a flama sangrenta
dos rubis...
E a cinta verga, flexuosa,
na luxuria dominante
dos quadris...

Um jeito mais quebrado no andar...

Um pouco mais de sombra no olhar
bistrado de lilás...

E ela passa
entornando dor,
a agonizar beleza!...
Um sonho de volúpia
que logo se desfaz,
em ruivas gargalhadas
dispersas... desgrenhadas!...

Magoam-se os meus sentidos
num cálido rubor...

E nos seus braços endoidecem
as anilhas d'oiro refulgindo
num feérico clamor!...

E ela passa...

Fulva, esguia, incoerente...
Flor de vicio
esvoaçando graça
na noite tempestuosa
do meu olhar!...
Como uma brasa ardente,
e infernal e dolorosa,
... a bailar...

a bailar!...

Por Judith Teixeira
fotografia de Oleg Kosirev

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

As nádegas


Porque das nádegas
a curva
sempre oferece
a fenda
o rio
o fundo do buraco

Para esconso uso do corpo
nunca o fraco
poder do corpo em torno desse vaso

Ambíguo modo
de ser usado
e visto

De todo o corpo
aquele
menos dado

preso que está já
do próprio vício
e mais não é que o limiar de um acto

Por Maria Teresa Horta
fotografia de Angela Blank

sábado, 2 de agosto de 2008

A sós no escuro II

Há algum tempo atrás publiquei o post A sós no escuro inspirado por Jade no seu post A Sós (Ele). Hoje recebi um comentário a esse meu post, que me foi enviado por uma leitora anónima. Senti-me lisonjeado e não resisti a publicá-lo aqui. Espero que seja do vosso agrado, tal como foi do meu.


No teu, ou no meu quarto,
É no nosso espaço...
olho-te... vejo teus gestos entre a luz que brilha do luar.
Teus dedos grandes apertam teu sexo, e meu olhos sonham em lhe tocar...
mexes, continuas a mexer e eu a olhar!
Inunda-me de desejo...
Sinto enorme vontade de me aproximar.
Ligeiramente aproximo-me quando tu, de olhos fechados soltas um grito...
Sinto-te ofegante... sinto o calor do teu corpo já perto de mim.
Com as minhas mãos interrompo os teus gestos substituindo-as pelas minhas mãos.
Aperto teu sexo entre as minhas mãos e tu, de olhos fechados sentes-me substituir-te.
Com a minha língua percorro-o, lambendo-o como quem lambe um gelado numa noite de Verão...
Duro, teso, sinto-o vibrar...
Acaricio-o com a minha boca...
E com os meus lábios percorro-o num vai e vem sem parar, entre gemidos quentes.
Sinto-te vir, sinto-te perder o controlo e de repente soltas em ti um grito e jaz...
Os nossos olhos cruzaram-se de desejo por mais e muito mais... até que o cansaço nos envolveu.

Escrito por uma leitora anónima
fotografia de Anthony Boccaccio

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Provocadora


Gosto de me aninhar
Entre os teus braços.
Os meus seios duros
Tocam o teu peito.
Aproximo-me mais...
Com os braços
Enlaçando-te a cintura.
Sou uma concha...
Olho-te...
Sou uma provocadora...

Por Marta Vinhais
fotografia de Poluyanenko Alexey


Este poema foi-me enviado pela autora. Veja o seu blogue
Com Amor

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Castigo


Desencaixo-me displicente.
Esvaziei-me, enfim.
Teu corpo
ainda queima,
tua mão ainda afaga.
Jamais
o prazer fora tão perverso.
Escondo meus lábios
atrás do batom.
Teus olhos
canibais marinhos
começam a se desfazer.
Não consigo te acompanhar.
És tão tolo...
Ainda me engasgo
com um último orgasmo.
Venci.
Sou aquela
que pela primeira vez
amas.
Mas a noite se esvai.
Sei que vais me tocar:
deixarei?
Não quero me amarrotar.
Tua boca me implora,
só que as estrelas se apagaram.
Vou-me embora
para nunca mais...
Se fosse amor,
não acabaria.

Por Agostina Akemi
fotografia de Ludovic Goubet

terça-feira, 22 de julho de 2008

A uma mulher amada


Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo subtil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frémito me abala... eu quase morro ... eu tremo.

Por Safo
fotografia de Oleg Kosirev